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Entrevistas

Entrevista com o autor Caio Riter

Débora Costa
25 de abril de 2016 25/04/2016 5 Comentários

caio riter

Caio Riter foi um dos primeiros autores de infanto-juvenil com quem eu tive contado depois que o La Oliphant começou a fazer parte da minha vida. Conheci o autor na Feira Nacional de Infanto-Juvenil, mais ou menos em Maio do ano passado, e desde então, eu venho acompanhando o trabalho que o autor realiza com esse público e que acabou me conquistando de uma forma que eu não sei explicar.

Pensando nisso, como estamos falando um pouco sobre Infanto-Juvenil este mês, entrei em contato com o Caio e ele nos cedeu uma entrevista. Queria, de antemão, agradecer ao autor por ter nos cedido um pouco do seu tempo para realizarmos esta entrevista e dizer que é um grande prazer para nós do La Oliphant mostrar um pouco do seu trabalho aqui.

Para aqueles que não são familiarizados com o autor, Caio Riter nasceu em 24 de dezembro, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. É Bacharel em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, e licenciado em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas, pela Faculdade Porto-Alegrense de Educação, Ciências e Letras – FAPA/RS; é Mestre e Doutor em Literatura Brasileira, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professor de Língua Portuguesa e de Redação. Ministra oficinas literárias de narrativa e de Literatura Infantil.

caio riter

Quando você decidiu se tornar escritor, o seu foco sempre foi escrever para o público jovem?

Não. Minha ideia inicial era escrever para adultos. A escrita para crianças veio por acidente. Acidente bom, é claro.

Quais são os elementos que mais lhe atraem ao escrever livros de infanto-juvenil?

Escrever para o público infanto-juvenil é certeza de leitura. Tem-se neste público uma verdade mais sincera, uma crítica mais próxima. E, além disso, a certeza de se estar contribuindo com a construção de seres de futuro.

Quais são os desafios de escrever para o público jovem? Você acha que é um público mais ou menos exigente do que o de outros gêneros?

Acabei respondendo acima. Creio que são exigentes sim. Não sei se mais, ou se menos, que os adultos. O fato é que são viscerais em seus gostares. Daí, o compromisso do escritor de, ao mesmo tempo que vai ao encontro do universo da criança e do jovem, buscar promover alguma ruptura, algum desacomodamentos com seus mundo ficcionais.

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Na sua opinião, qual a importância das ilustrações em um livro de Infanto-juvenil?

A ilustração, se bem feita, se dialogante com o texto, tem muito a contribuir com o objeto livro. Para a criança, a imagem fala também. E o ideal é que ela não apenas fale o que as palavras já dizem, mas que ela possa, a partir do olhar do ilustrador, contribuir com o texto num diálogo suscitador de reflexão e de entretenimento.

Você acha que o mercado editorial é complicado quando o foco é a literatura infanto-juvenil?

Não. Vejo o mercado bastante dinâmico, bastante ousado. Há, claro, editoras mais resistentes, que acabam por estabelecerem alguns critérios muito presos ao mercado escolar.

Como você enxerga a literatura infanto-juvenil atualmente? Acha que a mesma vendo sendo incentivada o suficiente?

Sempre, e cada vez mais, vemos eventos que têm a literatura para crianças e jovens como centro. Creio que é uma das literaturas mais incentivadas hoje, porém temos que lembrar que ele é definida pelo público e não pelo gênero, como ocorre na literatura feita para adultos, basta ver as modalidades de premiações.

caio riter

O que você acha de adaptações de clássicos como Dom Casmurro voltados para o público juvenil? Você acredita que adaptações assim poderiam incentivar a leitura?

Já fiz algumas adaptações. Acho-as interessantes se bem feitas. Todavia, com a presença de um bom mediador, as adaptações me parecem desnecessárias. Temo apenas aqueles que alteram de forma substancial o original. Creio que isto é um desserviço à literatura, ao clássico.

Para você, é importante que crianças tenham contato com literatura clássica, ou é melhor que eles façam esse tipo de leitura quando for do interesse deles?

Acho de suma importância o contato com os clássicos. Penso como o Calvino: não se pode tirar da criança e do jovem o direito de conhecer os clássicos.

Na sua infância, você teve algum livro do gênero que te marcou de alguma forma?

Sim. Um livro que até hoje coleciono. Possuo quase 90 exemplares distintos de Alice no País das Maravilhas. Mas também li muito Julio Verne.

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Você acha que os jovens deveriam ter mais liberdade na escolha de suas leituras, ou eles deveriam seguir a faixa etária dos livros, sempre tomando muito cuidado com o tipo de conteúdo que terão contato?

Ler, por vontade própria, tem de ser um ato de liberdade. Ler, na escola, tem de fazer parte de um projeto de formação de leitores. Neste segundo caso, a liberdade de escolha deve ser mais direcionada.

Como foi o processo de iniciação dos seus filhos no mundo da literatura? Foi forçado, natural, induzido?

Foi estimulado. Líamos todas as noites para elas.

Das suas obras publicadas, quais delas você acha que tiveram mais impacto na geração atual?

Difícil um autor julgar seus próprios textos. Mas aqueles de que mais recebo comentários de meus leitores, destaco: Meu pai não mora mais aqui, O outro passo da dança, Um na estrada e Sete patinhos na lagoa.

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Você já teve a intenção de escrever outro gênero, mas acabou desistindo e voltando para o infanto-juvenil?

Tenho livros de contos publicados. Três.

Para os autores que estão começando a explorar esse gênero, que dicas você daria?

Ler muita literatura infantil e juvenil. Ler os autores que a crítica diz que são bons. Ler os autores que a gurizada está lendo e dizendo que é bom.

Bom pessoal, essa foi a nossa entrevista com o Caio Riter. Abaixo eu vou deixar um vídeo gravado no primeiro evento que tive contato com o autor. Não deixem de conferir o site do Caio para saber mais sobre o seu trabalho, tudo bem?

Débora Costa

Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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Débora Costa

Geminiana. Escritora de romances nas horas vagas, mas viciada em séries no dia a dia. Publicitária hiperativa de 9h às 18h. Tem Oasis em todas as suas trilhas sonoras literárias. Prefere o Goodreads ao Skoob. A maluca dos romances de época que ainda vai escrever um livro sobre viagem no tempo.

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