Entrevistas 13jul • 2016

Uma entrevista antiga com a autora Juliana Daglio

Vamos falar um pouco sobre Juliana Daglio? Para aqueles que estão chegando no blog por agora, precisam saber que essa moça bonita da foto abaixo foi a primeira parceria oficial do La Oliphan há uns dois anos atrás. Com todo o amor e dedicação, Juliana Daglio acolheu esse blog e de lá para cá eu tenho acompanhado de perto essa moça realizar os seus sonhos, lançar mais livros e se tornar uma autora nacional muito amada pelos seus leitores.

Autora de livros como Uma Canção para a Libélula e Lago Negro, Juliana tem uma escrita que envolve os seus leitores e conquista logo nas primeiras páginas. Atualmente ela é publicada pela Editora Arwen, e a entrevista publicada abaixo foi realizada há algum tempo, quando Lago Negro ainda estava para ser lançado. Mas, não é porque fiz essa entrevista há algum tempo que eu vou perder essa oportunidade de compartilhar com vocês, leitores do La Oliphant, o amorzinho que é Juliana. Certo?

Juliana Daglio

Quando você decidiu que queria escrever um livro?
Acredito que eu tenha tomado essa decisão muito cedo, de uma forma muito inocente. Quando eu aprendi a ler, foi através de livros de Conto de Fadas, então minha paixão pela literatura logo nasceu. Aos oito anos, eu disse para minha mãe que queria ser escritora, e já dei início à composição de uma história de princesa. Encapei com caderninho e fiz até umas ilustrações, que não ficaram nada bonitas.
Sinto que decidi naquele dia, e que essa decisão veio comigo pelo resto dos dias, até que eu tive o sonho que inspirou, definitivamente, Uma Canção para a Libélula.

De onde veio a inspiração para Uma Canção para a Libélula?
Passei por várias etapas até tomar a coragem de começar a escrever, mas minha maior inspiração foi a teoria psicanalítica, de Freud. Eu tive um sonho durante o período em que cursava a matéria de Psicanalise na faculdade, e esse sonho culminou tudo. Era sobre uma garota que estava presa em uma casa, e ela não podia permitir que ninguém entrasse, e quem entrasse uma vez, ficaria preso para sempre, ou morreria.
Eu dei um nome para essa garota: Vanessa. E um nome para essa casa: A Depressão.
E daí em diante as coisas foram tomando forma e mais forma, até se tornar o livro.
Posso dizer que foi um processo incrível. Me diverti, chorei, apaguei, reescrevi… É meu coração colocado em palavras.

Como funciona seu processo criativo?
Depois de UCPAL, já dei início a vários projetos. Alguns acabei, outros não. Mas tem uma coisa que acontece em todos eles: um sonho.
Eu tenho um sonho que me marca, e quando acordo anoto ele em um arquivo. Dessa anotação nasce um rascunho, e daí por diante.
Se esse sonho vira um roteiro, eu sempre ouço alguma música que me faz lembrar esse roteiro, e começo a montar uma playlist. Então eu ouço essa playlist seguidamente, e isso aumenta ainda mais minha inspiraçãos.
Sonhos e músicas são meus gatilhos criativos.

Juliana Daglio

Quais foram as maiores dificuldades enfrentadas pra ter o seu livro publicado?
A grande falta de oportunidades e o alto custo foram as dificuldades iniciais.
As editoras ainda preferem investir em nomes internacionais, ou já muito conhecidos, e isso é uma grande barreira. Contudo, acredito que, aos poucos, isso esteja mudando, graças ao esforço e talento de muitos novos escritores.
Hoje em dia ainda existe obstáculos, mesmo com o livro publicado… Divulgação, aceitação e valorização por parte dos leitores, mais divulgação e etc.
Porém, posso dizer que todos esses obstáculos tem contribuído para que eu me sinta mais forte e mais engajada nessa luta, além do que – não estou sozinha. Tenho amigos, leitores, blogueiros e outros autores que me fazem sentir parte de um todo, e esse TODO é lindo demais.

O seu livro aborta do tema “depressão” de uma forma diferente, como você chegou a conclusão de que essa seria a melhor forma de imergir o leitor no tema?
Há muita leitura a respeito de depressão e muitas pessoas deprimidas.
Livros técnicos, aos montes, que são ótimos, aliás. E livros de enredos com personagens depressivos, mas que não giram ao redor do tema, especificamente.
Quando você está deprimido, ler uma lista de sintomas e um compendio psiquiátrico não vai te ajudar. Mas ler o ponto de vista de alguém que está na mesma situação que você, pode acarretar numa coisa muito importante: IDENTIFICAÇÃO.
Quando você encontra uma pessoa com a qual se identifica, você não se sente mais sozinho. Vai ouvir o que ela diz, se colocar no lugar dela, tentar se unir a ela para juntos resolverem o problema, ou conviver com o problema. Eu queria que a Vanessa fosse esse alguém, para muitos. Quero que ela faça companhia a outras pessoas que sentem o que ela sente, e que ela ajude essas pessoas a saírem da crise.

Juliana Daglio

Se você fosse convidada para tomar um café com um dos seus personagens, qual seria?!
Eu queria poder sentar e conversar com pouco com a Valéria, viu!
É muito difícil entender alguém que se mostra como a vilã de uma história, ainda mais vendo tudo do ponto de vista da Vanessa. A verdade é que a Vanessa não teve a oportunidade de conhecer a Valéria de verdade, de entender como ela se tornou uma pessoa tão amarga e com atitudes tão insanas, mas ela tem uma história que merece ser contada, independentemente de haver ou não perdão.
Eu queria poder sentar com ela e ouvir tudo, pra dar uns conselhos e dizer para ela se esforçar um pouquinho pela filha, ao menos uma vez.

Depois do lançamento do seu primeiro livro, quais são os seus novos projetos?
O Lago Negro, primeiro livro de uma séria, será lançado agora no segundo semestre de 2015 ela Arwen, e é um projeto muito querido para mim. Acredito que vocês vão curtir a Verônica tanto quanto a Vanessa.
Fora OLN, estou escrevendo um livro Terror/Fantasia, que está me deixando com um pouco de medo. Ele fala de demônios, possessões e tudo o que uma história de terror tem direito. Susto, mitologia, e mais ainda. Porém, a pessoa aqui é um pouco medrosa, então está com dificuldades de prosseguir. Mas ele vai sair. hahahah

Sua vida mudou muito depois que se tornou escritora?
Muito!
Eu sempre fui tímida e muito quieta, com poucos amigos e bem discreta.
Hoje, eu falo em vídeos, tenho amigos em todos os cantos do Brasil, e não tenho medo de contar a vocês como está sendo tudo isso. Acredito que meu potencial de comunicação estava adormecido todos esses anos, esperando a publicação do livro para emergir.

Juliana Daglio

Como é seu relacionamento com os fãs do livro?
Pensar em fãs é uma coisa… Surreal! Hahahhaha
Meu relacionamento com eles é de amizade mesmo. Gosto de conversar com cada leitor, saber o que ele achou, mesmo que seja uma crítica, e poder ouvir abertamente o que ele tem a dizer.
Penso que somos amigos, compartilhando um pedaço do meu coração.

Se você pudesse escolher uma música para definir Uma Canção para Libélula, qual seria?
A parte I eu acredito que seria Lost in Paradise, da banda Evanescence. A música é melancólica demais, dá um aperto no peito, e fala sobre alguém acompanhado de uma dor que está perdida no paraíso. É bem o que acontece com a Vanessa, em meio a uma carreira promissora, um talento incrível, mas que carrega esse peso como uma bomba com uma data prevista para e explosão.
A parte II, seria Skinny Love, da Birdy. Mas se eu contar muito sobre isso, vou dar Spoiler a respeito da continuidade da história. Mas, para aumentar o mistério, a letra a música diz:

“Vamos, amor frágil, o que aconteceu aqui?
Alimente-se com a esperança do seu peito
Meu, meu, meu, meu, meu, meu Deus
A carga está cheia; então vá com calma”

Por que será que escolhi essa música? Hahahhaha

Já pensou em trabalhar com livros de outros gêneros? Como livros infantis, por exemplo.
Já sim. Eu quero trabalhar muito com Terror e Suspense daqui para frente. Ainda estou processando essas ideias, mas além de investir em mais um sick-lit, futuramente, quero estudar mais literatura de terror e tentar inserir nos meus enredos medos comuns com os quais todos possam se identificar, e tornar esses medos figurativos.
Infantis não. Não é minha área. Heheheh

Juliana Daglio

Se você pudesse encontrar com um autor pelo qual é apaixonada, quem seria e o que você iria dizer pra ele?
Seria o espanhol, Carlos Ruíz Zafón. E eu diria: Me deixe ser sua Isabella?
No enredo e O Jogo do Anjo, David é um promissor escritor, e a Isabella é uma garota que deseja muito aprender com ele, por isso ela aceita fazer todo o serviço de casa dele para poder ficar perto e aprender o máximo que puder.

O que você gostaria de dizer para as pessoas que acompanham o seu trabalho como escritora?!
Queria dizer que vocês são minha razão de continuar escrevendo. Antes, eu era só uma garota sonhadora com um manuscrito, sozinha com um monte de folhas e livros. Hoje, eu sou uma escritora com sonhos ainda maiores inspirados em pessoas que tem me dado força e me impulsionado a continuar. Não estou sozinha, e devo a isso a vocês.
É um amor tão grande que não tenho como explicar. Só preciso pedir desculpas por às vezes demorar para responder as mensagens, ou e-mails, mas eu procuro tratar cada um com carinho e conversar com todos, um por um. Tenham paciência com essa atrapalhada aqui, e saibam que todos moram no meu coração.

Débora Costa ver todos os artigos
Escritora melancólica nas horas vagas, publicitária hiperativa no dia a dia. Viciada em Oasis, uma eterna apaixonada por Beatles. Leitora compulsiva de livros de steampunk. Futura autora de um livro sobre viagem no tempo.

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9 Comentários

  • […] oportunidade de fazer as primeiras impressões de Lacrymosa, novo livro da Juliana Daglio! Nós já entrevistamos a Juliana aqui no blog e até resenhamos Uma Canção Para a Libélula, então logicamente já estávamos […]

  • NIZETE RIBEIRO
    21 jul 2016

    As capas dos livros da autora são lindas!
    Conheço-a através das diversas postagens espalhadas pela blogosfera, mas nunca tive a oportunidade de ler suas obras. Mas, é sempre bom ficar por dentro de mais informações. Gostei da entrevista.
    Abs
    Ni
    Cia do Leitor

  • Morgana Brunner
    18 jul 2016

    Oiii Débora, como vai?
    Garota que entrevista maravilhosa, essa menina é um amorzinho puro, tenho ela nas redes sociais e ela é tão querida cm os leitores que dá vontade de abraçar mesmo <3 gostei muito de saber sobre os projetos dela e desejo muito sucesso.
    Beijinhoss

  • Leticia Delicor
    17 jul 2016

    OIi
    Que talentosa hem! Achei as repostas bem maduras! Eu não conhecia os livros, mas me interessei por esse o Lago Negro!
    bjus

  • Oi! Tudo bem?

    A autora realmente tem sido reconhecida nesses últimos tempos. Sempre ouço coisas muito boas sobre suas obras!! O que mais me chamou a atenção na entrevista foi o fato dela fazer algo muito parecido com o que eu faço: sonhar e anotar esses sonhos. É impressionante as coisas que se desenvolvem a partir daí! 😀

    Sucesso pra essa linda e fofa!

  • Gustavo Mendes
    17 jul 2016

    Nossa como ela é linda, estou encantado, haha!
    E além de tudo é uma fofura de pessoa. Infelizmente ainda não li nenhum de seus livros, mas pretendo ler em breve, principalmente Lago negro, que me desperta muita curiosidade.

    beijos
    http://ummundochamadolivros.blogspot.com.br/

  • Kátia Moura
    17 jul 2016

    🙂

  • Kátia Moura
    17 jul 2016

    Olá!

    Adorei tua entrevista com essa lindona. Ela realmente é um amor e seus livros são maravilhosos, já li todos, Inclusive. Desejo sucesso para ambas.

  • A entrevista está perfeita. Eu acompanho a Juliana no face. Gosto muito dos livros dela e a forma como ela escreve. Tem muita imaginação. Bjkas

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