Posts escritos por: Vinicius Fagundes

Resenhas 12out • 2017

Fortaleza Impossível, por Jason Rekulak

Depois do sucesso de Stranger Things e It, a nostalgia dos anos 80 parece realmente estar em alta. E eu realmente gosto bastante da cultura pop dessa época, então quando eu li a sinopse de Fortaleza Impossível, já fiquei super animado com o livro. E apesar de ter me divertido com a leitura, Fortaleza Impossível não entregou o que eu estava esperando. E a maioria dos problemas que eu tive com o livro estão no enredo em si,

Fortaleza Impossível segue um garoto chamado Billy e seus amigos, Clark e Alf, típicos garotos americanos que só querem uma coisa na vida: a mais nova edição da Playboy, que contem as fotos da apresentadora mais popular dos Estados Unidos, Vanna White. Billy e seus amigos constroem um plano mirabolante, que envolve se aproximar de Mary, a filha do dono da loja que vende as revistas. O que Billy não espera era que Mary e ele tivesse tanto em comum, principalmente uma paixão secreta por jogos de computador

Os personagens de Fortaleza Impossível são bem legais, apesar de serem um pouco simples. Billy é um garoto legal que obviamente sofre uma certa pressão dos seus amigos e do mundo em geral para agir de um jeito que não condiz com a personalidade dele. Os diálogos dele com os amigos me incomodaram um pouco, porque eles podem ser bastante preconceituosos, mas os momentos que o livro passa mostrando o relacionamento dele com a Mary são realmente as melhores partes do livro. E elas ficam ainda mais legais quando mostram os dois compartilhando a paixão por computadores.

O plot do plano em si é até divertido, e me lembra bastante os filmes de comédia dos anos 80. Fortaleza Impossível é realmente uma carta de amor à essa época, mesmo que não seja tão recheado de referências quanto Jogador Nº 1, por exemplo. Mas ele consegue recriar muito bem a atmosfera dos filmes dos anos 80, principalmente as comédias adolescentes como Mulher Nota 1000 e A Vingança dos Nerds. Pra quem gosta desse tipo de comédia, Fortaleza Digital pode ser uma ótima sugestão.

Mas como nem tudo pode ser positivo, o livro tem seus problemas. Pra começar, como eu já mencionei, os amigos de Billy tem alguns diálogos bastante preconceituosos. Eu entendo que o livro se passa nos anos 80, e a sociedade evoluiu em alguns conceitos, mas eu realmente fiquei incomodado com o quanto os personagens focam no fato de que Mary é gorda. Praticamente toda vez que ele mencionam ela, eles fazer referencia ao peso dela. Até mesmo Billy usa termos insultantes quando fala dela, só para se adequar a o que os amigos fazem. Esse é um problema do livro, em um momento, Billy é um garoto legal e carinhoso, em outro, ele é grosseiro e infantil. Essa caracterização inconsistente não melhora em nenhum momento do livro.

E isso acaba levando ao maior problema do livro. Sem querer dar spoiler do final da história, eu tive a sensação de que chegando na conclusão, nenhum dos personagens aprendeu nada com os acontecimentos da história. Tanto Billy quanto Mary fazem algumas coisas moralmente questionáveis durante o livro, e no final, é como se nada disso tivesse acontecido. Eles são as mesmas pessoas no final do livro que eles eram no começo. Então, apesar de divertida, a história toda parece que não tem peso nenhum.

No final das contas, Fortaleza Impossível é uma leitura divertida, mas não é tão satisfatório quanto poderia ser. O enredo e a atmosfera entregam aquela nostalgia, e os momentos do livro que focam na paixão de Billy por computadores e no romance dele com Mary são boas, mas não compensam a infantilidade dos personagens, a inconsistência da caracterização e o body shaming que os personagens propagam. Apesar de eu ter gostado de partes do livro, eu não sei se eu recomendaria esse livro para quem quer uma comédia nostálgica.

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Resenhas 05out • 2017

Branco Como a Neve, por Salla Simukka

Branco Como A Neve foi uma leitura complicada de descrever. Primeiramente porque suspense é um gênero literário que eu ainda não estou completamente familiarizado, segundamente porque, e eu não sei isso vai fazer muito sentido, eu ainda não consegui largar da sensação de que o livro que eu li era só metade de um livro maior. Eu tive a mesma sensação quando li Vermelho como O Sangue, então provavelmente é alguma coisa com o estilo narrativo da autora, mas ainda assim é uma sensação muito esquisita.

Branco Como A Neve continua a história de Lumikki Andersson, uma jovem estudante de uma escola de arte que se vê envolvida com assuntos bem mais complicados do que ela gostaria. Dessa vez, Lumikki está de férias em Praga, se recuperando dos acontecimentos do primeiro livro, quando é abordada por Zelenka, uma misteriosa jovem que diz ser sua irmã. Lumikki, que sabe como a sua família é complicada no que diz respeito a segredos, decide investigar se a afirmação de Zelenka é verdadeira. Mas a aparição de Zelenka acaba levando Lumikki para dentro de um mistério mais perigoso do que ela poderia ter imaginado.

Quem leu Vermelho Como O Sangue sabe que Lumikki é uma personagem um tanto quanto fria e impessoal. Pessoalmente, eu gostei da personalidade antissocial dela, e esse segundo livro até conseguiu introduzir detalhes do passado dela que apresentaram um lado novo da personalidade dela. Mas o problema com esse jeito frio dela é que narração do livro fica um pouco monótona. Ela é tão racional e centrada que a narração contêm quase nenhuma emoção. Eu entendo que isso é parte da personagem, e que quando a emoção acontece, ela é até bastante efetiva, mas no geral a leitura do livro é clínica demais pro meu gosto.

Os outros personagens do livro simplesmente não são importantes o bastante para serem mencionados. O livro passa muito pouco tempo com eles, praticamente só os momentos em que eles interagem com a Lumikki. Zelenka é provavelmente a maior personagem depois de Lumikki e apesar de achar a história dela interessante, o livro não soube apresentar o arco dela de uma forma envolvente. Esse é um dos maiores problemas que eu tive com o livro, o fato de que ele não mostra tanto da história quanto eu gostaria. Em um ponto do livro, a narração explica uma conversa que Lumikki tem com outro personagem, e eu ainda não entendi porque o livro não poderia ter simplesmente nos mostrar a tal conversa

Outro problema que o livro tem, e que também estava presente no primeiro livro da série, é que ele é simplesmente curto demais. A história chega em um momento interessante e você, o leitor, fala “Opa, agora assim a história vai ficar séria!”, mas esse momento vem praticamente no final do livro. Eu falei no começo da resenha que o livro parece ser apenas uma parte de um livro maior, e é exatamente isso que parece. Que alguém editou um livro grande porque não tinha tempo de ler ele inteiro. Apesar de ter alguns elementos muito legais, a história parece incompleta, e acaba rápido demais.

Além disso, além do fato de terem a mesma protagonista, eu não vi quase conexão nenhuma entre o primeiro e o segundo livro. Considerando os acontecimentos do primeiro livro, era de se esperar que eles tivessem algum tipo de impacto emocional na Lumikki, mas não. Ela está basicamente no mesmo lugar emocionalmente e mentalmente que ela estava no primeiro livro. Exceto por ser talvez um pouco mais aberta a se aproximar das pessoas, mas nem mesmo isso é tão aparente.

Se Branco Como A Neve fosse talvez umas 50 e poucas páginas mais longo, e a narração fosse menos focada nos pensamentos de Lumikki e mais nos outros personagens, ele seria uma leitura bem mais marcante. O livro tem bons momentos, principalmente os flashbacks sobre o passado emocional de Lumikki, mas no geral, é uma história esquecível. Eu sei que a série ainda tem mais um volume, Preto Como o Ébano, mas eu não consigo reunir interesse para continuar acompanhando essa trilogia. É realmente uma pena porque eu queria muito gostar dessa história, mas eu simplesmente não consegui.

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Resenhas 02out • 2017

A Menina Que Não Acreditava em Milagres, por Wendy Wunder

Eu realmente não sabia o que esperar desse livro. Sick-lit é um gênero literário que nunca me atraiu, e pra ser sincero, continua não atraindo, então eu não tinha nenhuma ideia do que esperar dessa leitura. Mas A Menina Que Não Acreditava em Milagres até que foi uma surpresa agradável. Não que o livro não tenha seus problemas, e ele com certeza tem, mas foi uma leitura bem mais agradável do que eu achei que seria, apesar de ser um tanto quanto mediana.

A Menina Que Não Acreditava em Milagres conta a história de Cam, uma jovem que há anos batalha uma forma terminal de câncer. O último exame feito revela que não há mais nada que a medicina possa fazer por Cam, e que a única forma de salvá-la seria um milagre. A mãe de Cam decide então que a família deve se mudar para a cidade de Promise, uma pequena cidade no Maine que tem a reputação de ser o local de vários acontecimentos milagrosos.

Em primeiro lugar, vamos falar da protagonista. Como o livro é centrado completamente em tordo dela, se a Cam fosse uma personagem ruim, o livro em si seria ruim. Mas a narração de Cam, foi provavelmente a minha parte favorita do livro. Sempre que eu vejo uma personagem sendo descrita como sendo “sarcástica”, eu já me preparo para não gostar dela, já que geralmente “sarcástica” significa “grosseira e desagradável”. Mas eu acabei gostando bastante de Cam. Talvez porque ela realmente tem motivos para ser uma pessoa, digamos assim, negativa, então o sarcasmo dela pareceu mais justificável. E mesmo assim, ela também tem seus momentos mais sentimentais durante a história.

E os elementos do backstory dela todos eram bastante interessantes. O lance de crescer basicamente dentro do parque da Disney World, o fato de ela ser polinésia, e claro o câncer, tudo isso somado fez dela uma personagem muito interessante. E tudo isso ficou dez vezes melhor quando ela interagia com outro personagem e os diálogos dela eram realmente engraçados. Teria sido muito decepcionante se o sarcasmo dela se manifestasse de uma forma mais negativa, mas ainda bem que as observações dela me fizeram rir.

O relacionamento da Cam com o par romântico dela, o Asher, até que é legalzinho, mas não é nada que tenha feito o livro ser mais marcante. Eles têm alguns momentos bonitinhos, alguns diálogos divertidos, mas no geral, é um romance bastante esquecível. Com certeza nada que eu chamaria de um romance épico. Eu estava mais interessado no relacionamento da Cam com a mãe e a irmã, principalmente com a irmã. Eu queria de verdade ver mais cenas das duas juntas, porque fiquei com a sensação de que elas não interagiram tanto quanto eu gostaria no livro.

Infelizmente, a história em si não me saltou aos olhos como sendo tão especial. Talvez porque se trata de uma história sobre uma personagem com câncer terminal, o livro todo me pareceu uma contagem regressiva para o momento em que tudo ia pro fundo do poço. Apesar dos momentos mais leves serem bem divertidos, e até bonitinhos, eu passei pela leitura com aquela sensação de “ok, chega logo na parte importante”. E esse é o meu problema com Sick-lit em geral, eu não consigo aproveitar a história porque estou sempre esperando o momento em que a situação vai de mal a pior.

Eu não saberia comparar A Menina Que Não Acreditava em Milagres com outros livros do mesmo estilo, mas como um livro em geral, ele não foi nada que eu chamaria de ótimo. A narração da Cam foi praticamente o único ponto marcante do livro, além de algumas cenas mais divertidas, e pra ser sincero, esse realmente foi um caso em que o todo não foi maior que a soma das partes. Não é uma leitura que eu me arrependo de ter feito, mas não diria que é uma que eu farei novamente.

As imagens do livro utilizadas nesta resenha foram retiradas do blog Sai da Minha Lente.

Resenhas 25set • 2017

À Primeira Vista, por David Levithan e Nina LaCour

Sabe quando você gosta de um livro, mas não tanto assim? Quando você se divertiu lendo, mas o livro não desencadeou nenhuma emoção forte ou sentimento profundo em você? Então, essa foi a minha experiencia lendo Á Primeira Vista. E isso me surpreendeu porque eu geralmente gosto muito dos livros do David Levithan, e gostei muito do que já li da Nina LaCour, então eu realmente achei que teria uma opinião mais forte sobre esse livro. Mas essa foi uma situação em que, desde o momento em que eu conclui a leitura, eu não voltei a pensar na história do livro.

À Primeira Vista segue dois adolescentes, Kate e Mark. Apesar de serem colegas de classe por um ano inteiro, a primeira vez que os dois se falam é dentro de uma boate gay, quando os dois estão passando por um momento difícil. Kate está fugindo da chance de conhecer a garota por quem ela mantém uma paixão à distância, e Mark está apaixonado pelo seu melhor amigo Ryan, que parece não sentir o mesmo. Quando se encontram na loucura da semana do orgulho gay em São Francisco, eles decidem se tornarem amigos.

A escrita desse livro é realmente boa, e eu não esperava nada menos do David Levithan e da Nina LaCour. O livro segue aquela formula parecida com outros livros do Levithan, em que ele escreve os capítulos do ponto de vista do Mark e a Nina LaCour escreve os capítulos da Kate. Os dois são ótimos escritores então todo o conteúdo emocional do livro é bastante efetivo. O nervosismo da Kate em relação a Violet, a garota que ela gosta, e a ansiedade que ela tem sobre o futuro, a angústia no Mark em relação ao Ryan, tudo isso é muito bem passado pela narração e pelos diálogos.

Outra coisa que eu gostei no livro é a forma que a amizade entre a Kate e o Mark acontece. Os dois se encontram em uma noite meio caótica e decidem que já que os amigos deles não estão sendo muito amigos no momento, talvez seja melhor eles se juntarem. As interações dos dois no livro são bem divertidos, e você realmente acredita que eles se gostem de verdade. Eles se aconselham, se apoiam um no outro, e no geral, agem como amigos de verdade devem agir. O relacionamento dos dois contribui muito para que essa seja uma leitura muito agradável.

Mas esse é o problema do livro. Ele é agradável, só isso. Nada acontece nele que fica muito marcado na memória depois de concluída a leitura. Apesar de ser bem divertido, o livro não tem aquela carga emocional que os outros livros do Levithan, como Garoto Encontra Garoto ou Will e Will tem. Ele me lembra aqueles filmes que passam durante a tarde; você vai assistindo e se divertindo, mas quando o filme acaba, você não lembra quase nada que aconteceu nele.

Outra coisa que me incomodou um pouco é o fato de que o Mark não ter um subplot. A história da Kate é movida por dois pontos, o nervosismo dela com a Violet e o medo que ela tem sobre o futuro dela, e os dois são basicamente dois lados do conflito que ela precisa resolver. O Mark só tem um plotline no livro, o relacionamento dele com o Ryan. Só isso. Teria sido legal ter visto ele passando por alguma outra coisa que não fosse um amor não correspondido, acrescentar uma outra camada para o personagem dele.

Além disso, a história do livro é um pouco fantasiosa demais pro meu gosto. Eu não vou entrar em detalhes pra não dar spoiler pra ninguém, mas em alguns momentos do livro, eu me vi falando “de jeito nenhum que isso aconteceria na vida real”. É claro que a gente espera um pouco de fantasia nos livros, afinal a suspensão de descrença faz parte da maior parte das leituras, mas não de um jeito que te tira da história. Parece que algumas partes da história se desenrolam fácil demais e isso meio que acaba com o ritmo do livro.

À Primeira Vista é uma leitura, e me doí usar essa palavra, mediana. Apesar de gostar dos personagens, e da escrita ser tão boa quanto eu já estou acostumado com o David Levithan e a Nina LaCour, o livro simplesmente não é único o bastante para se destacar entre tantos outros YA contemporâneos. Além disso, o livro tem problemas em relação ao realismo da história, e o fato de que o Mark é meio raso como personagem. No mais, À Primeira Vista é um livro ok. Nem ótimo, nem ruim. Só ok.

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Resenhas 21set • 2017

O Segredo de Heap House, por Edward Carey

O Segredo de Heap House foi uma leitura, digamos assim, peculiar. Eu venho remoendo essa leitura em alguns dias e ainda não sei dizer se gostei ou não desse livro. Quer dizer, eu gostei, mas não sei dizer o quanto. A capa descreve o livro como sendo uma mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket e isso é uma descrição bastante precisa, mas não sei se Heap House é um livro que eu recomendaria pra qualquer pessoa.

O Segredo de Heap House conta a história da misteriosa família Iremonger, a família mais rica de Londres que reside em Heap House, uma mansão gigantesca localizada no meio dos Cúmulos, um oceano de objetos perdidos e descartados. A família Iremonger tem diversas tradições excêntricas, por exemplo a tradição que todo Iremonger recebe um objeto de nascença, ou a de que um Iremonger só tem o direito de usar calças compridas depois de se casar. O protagonista do livro, Clod, é um Iremonger ainda mais estranho que os outros, pois possui uma habilidade incomum: Consegue ouvir os objetos falarem. A vida de Clod dentro de Heap House se torna ainda mais confusa com a chegada de Lucy, uma jovem criada rebelde que se recusa a se encaixar dentro das regras dos Iremonger.

Vamos começar pela narração. O estilo narrativo de O Segredo de Heap House é bem diferente, bem estilizado. É o tipo de narração que, se você gosta, vai amar. Se não, a leitura pode acabar ficando bem cansativo. Eu acabei me encaixando no meio termo, hora eu estava gostando bastante, outra eu estava ficando sem paciência pra continuar lendo. Mas apesar de algumas partes serem um pouco chatinhas, o livro em geral é bem divertido, e a escrita passa muito bem a atmosfera esquisita de Heap House. Me lembrou muito a sensação dos cenários dos filmes do Tim Burton.

O plot do livro é bem interessante, e o mistério do que está acontecendo dentro de Heap House é muito bem desenvolvido. Eu realmente me envolvi na história, e foi por isso que eu acabei me irritando um pouco com a escrita em certos pontos. O livro caminhando pra uma direção super legal e a narração parando para esticar as frases, para manter aquele estilo de narrativa. O flow do livro teria sido melhor se essas partes mais chatinhas fossem retrabalhadas, mas acho que talvez assim a história perderia um pouco do seu toque característico. Questão complicada, essa.

Clod e Lucy dividem a narração e o papel de protagonista, e eles foram as minhas partes favoritas do livro. Tanto Clod quanto Lucy foram protagonistas muito divertidos de acompanhar. Foi muito divertido conhecer as entranhas de Heap House através dos olhos de Lucy, e também conhecer os membros estranhos da família Iremonger com quem Clod interage. E apesar de eles terem poucas cenas juntos, os diálogos dos dois realmente me passaram a química que eles tem. Eu teria gostado de ver mais interação entre eles, mas o pouco que o livro mostra já me vendeu completamente a amizade deles.

O final do livro foi o que mais me impressionou. Como eu já falei, o livro tem suas partes mais chatas, e o meio do livro chegou a ser um pouco tedioso. Mas chegando mais perto do final, a história realmente entrou em um ritmo muito legal. O livro conseguiu construir um final que me deixou muito curioso para ler a continuação, e fez isso sem parecer aqueles livros que simplesmente enfiam qualquer detalhe no final do livro para levar a uma sequencia. Se o meio do livro fosse mais como o final, ele teria sido bem mais fácil de ler.

Mas no geral, O Segredo de Heap House foi uma leitura bem legal. Um enredo divertido, personagens bem construídos, e um final que me deixou louco pra ler o próximo livro, mas que infelizmente perde alguns pontos pela narrativa um pouco cansativa, que apesar de carregar aquele estilo característico do livro muito bem, também torna a leitura mais tediosa do que poderia ser. Não sei se é um livro que eu recomendaria para todo mundo porque nem todo mundo vai ter a paciência de aguentar a narração, mas se você for paciente, vai encontrar uma história muito legal.

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Notícias 11set • 2017

Geektopia vai lançar Locke & Key do Joe Hill!

Esse momento é meu! A Geektopia, selo de quadrinhos da Editora Novo Século (a mesma que trouxe The Wicked + The Divine pra cá) anunciou na página deles no Facebook que vai estar publicando o primeiro volume the Locke & Key, graphic novel do autor Joe Hill, com as artes feitas pelo ilustrador Gabriel Rodriguez. Locke & Key segue a família Locke, que se muda para Keyhouse, a casa onde o patriarca da família cresceu, depois que ele é assassinado. Na casa, os filhos Tyler, Kinsey e Bode descobrem que a casa esconde segredos bastante sombrios.

Locke & Key ganhou diversos prêmios, inclusive o British Fantasy Award para Melhor Quadrinho/Graphic Novel em 2009, e quase foi adaptada para o canal Fox em 2011, mas infelizmente o projeto não foi pra frente. Uma nova adaptação está sendo produzida para a plataforma de streaming Hulu. Já estamos doidos para conferir a edição brasileira dessa excelente história!

Filho do aclamado Stephen King, Joe Hill vem seguindo os passos de seu pai e escrevendo incríveis histórias de terror….

Posted by Geektopia on Wednesday, September 6, 2017

Resenhas 10set • 2017

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras, por Cassandra Clare

ATENÇÃO: ESSA RESENHA PODE CONTER SPOILERS DOS LIVROS DAS CRÔNICAS DOS CAÇADORES DE SOMBRAS

É engraçado quando você não percebe o quanto gosta de uma série até que você pega um dos livros da série e começa a ler. Eu tenho praticamente todos os livros das Crônicas dos Caçadores de Sombras (exceto o Códex), então Contos da Academia dos Caçadores de Sombras era um leitura que eu queria fazer, mas não tinha nenhuma expectativa de me surpreender com a história. E foi exatamente isso que eu consegui.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras segue Simon Lewis, o mundano que virou vampiro, e depois virou mundano de novo. Após perder a memória em Cidade do Fogo Celestial, Simon vai para a Academia dos Caçadores de Sombras, onde vai passar pelo treinamento para Ascender, ou seja, beber do Cálice Mortal e se tornar um Caçador de Sombras, o que lhe devolveria suas memórias. Enquanto passa pelo seu treinamento, Simon aprende várias histórias sobre Caçadores de Sombras que viveram e lutaram antes dele.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras é um livro meio complicado de resenhar porque ele faz parte de uma série que consiste de vários outros livros. Então alem de sempre correr o risco de entregar algum spoiler, a gente encontra o problema de que pra chegar nesse livro, você teria que passar por todos os outros dez livros que fazem parte das Crônicas dos Caçadores de Sombras. E esse é o maior problema do livro, o fato de que se você está afim de ler ele, você provavelmente já é fã da série. Se não é fã da série e quer ler o livro mesmo assim, ou vai ter preguiça de ler os outros livros, ou vai pular pra esse e não vai entender nada da história. É um livro que realmente só funciona pra quem já é fã do mundo que a Cassandra Clare criou.

Por outro lado, pra quem já é fã das Crônicas dos Caçadores de Sombras, o livro é um prato cheio. Os contos são escritos pela Cassandra Clare em parceria com algumas de suas amigas autoras: Sarah Rees Brennan, Maureen Johnson e Robin Wasserman. A única que eu já conhecia é a Maureen Johnson, mas se os livros da Sarah Rees Brennan e da Robin Wasserman forem tão legais quanto os contos dessa coletânea, eu já vou estar incluindo os trabalhos delas na minha lista de leitura. Todos os contos são bastante divertidos, eu não consigo apontar nenhum como sendo ruim.

Cada um dos contos nos mostra a história de um Caçador de Sombras, em vários pontos da história desse universo. O legal desse formato é que temos a participação de personagens de diversos dos livros que fazem parte das Crônicas dos Caçadores de Sombras. Não só vemos Simon, Clary, Isabelle e o resto dos personagens da série Os Instrumentos Mortais, como temos aparições de Will, Tessa e Jem da trilogia As Peças Infernais, e vemos Emma e Julian da atual série Os Artifícios das Trevas. Temos até as aparições de personagens que serão importantes em futuras séries das Crônicas, como os futuros protagonistas da trilogia The Last Hours. É praticamente o MCU da literatura YA.

O único problema que eu tive com o livro é que, por ele ser uma coletânea de contos que foram lançados separados, ele acaba se repetindo um pouco. Entre a publicação de um conto e outro, existe um espaço de tempo, então os contos acabam referenciando coisas que acontecem no conto passado, por exemplo. Mas quando você faz a leitura do livro, é como se o livro estivesse te lembrando de algo que aconteceu apenas a algumas páginas atrás. Mas isso realmente é uma queixa bem pequena, porque a leitura do livro foi divertida demais.

Contos da Academia dos Caçadores de Sombras realmente parece ser um presente para os fãs das Crônicas dos Caçadores de Sombras. Além de ser narrado por um dos personagens mais carismáticos da série, o livro é cheio de aparições de personagens de todas as outras séries que fazem parte da saga, e é cheio de cenas divertidas e até emocionantes. Assim como foi com As Crônicas Bane, esse livro foi uma coleção muito legal de pequenas histórias de um universo que eu já conheço bem e considero bastante.

Apesar de eu achar que vai ser difícil convencer alguém que não é fã da série a realmente mergulhar nesse universo (estou falando com você, Débora), Contos da Academia dos Caçadores de Sombras me lembrou de como eu gosto do universo da Cassandra Clare. É uma coletânea muito bem construída de dez contos que mostram o presente, o passado e dão um gosto do futuro do que ainda está por vir no mundo dos Caçadores de Sombras. É sem dúvida uma leitura obrigatória para os fãs da série.

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Notícias 06set • 2017

Victoria Schwab Assina Contrato Milionário

V. E. Schawb, autora best seller da série Um Tom Mais Escuro de Magia (Um Tom Mais Escuro de Magia, Um Encontro de Sombras, e A Conjuring of Light), assinou um contrato de um milhão de dólares com a editora Tor Books, anunciado exclusivamente pela Entertainment Weekly.

O contrato incluí uma nova trilogia chamada Threads of Power, que será centrada no mesmo mundo que a série Um Tom Mais Escuro de Magia, além de um quarto livro, estrelando uma mulher assassina numa versão futura da cidade de Nova York.

“Eu estou muito feliz,” Schwab contou para a EW. “A dedicação da Tor tem sido inabalável, e, junto com a minha formidável editora, eu mal posso esperar para apresentar novos protagonistas, explorar territórios desconhecidos, e revisitar velhos amigos.”

Com esse novo acordo, a parceria de Schwab com Tor e com sua editora Miram Weinberg vai se estender até pelo menos 2024. “[Victoria] é o tipo de autora que uma editora sonha em achar,” Weinberg conta para a EW. “Ela é uma escritora brilhante com uma imaginação correspondente, e tem a coragem para se impulsionar mais com cada livro. Eu mal posso esperar para mergulhar de novo em seus mundos fictícios.”

O próximo passo para Schwab na Tor é Vengeful (que lança em setembro de 2018), a continuação de seu primeiro livro adulto Vicious, e The Invisible Life of Addie La Rue, que a editora descreve como “uma história sobre uma garota que faz uma barganha Faustiana para viver pra sempre, e acaba sendo esquecida por todos que ela conhece.”

Esta notícia foi originalmente publicada pelo Entertainment Weekly. O La Oliphant é responsável apenas pela tradução do conteúdo.

Notícias Séries & TV 29ago • 2017

Já temos o primeiro trailer da adaptação de “O Chamado do Cuco”

A BBC divulgou essa semana o primeiro trailer de Strike, adaptação da série Cormoran Strike da J. K. Rowling sob o pseudônimo Robert Galbraith, que começa com O Chamado do Cuco. A série, que vai estrear dia 27 de agosto na BBC, tem sete episódios na sua primeira temporada, cada um deles tendo uma hora de duração. Os primeiros três episódios serão baseados em O Chamado do Cuco, os próximos dois episódios serão baseados em O Bicho-da-Seda, e os últimos dois episódios serão baseados em A Carreira do Mal.

Strike segue o detetive particular Cormoran Strike (Tom Burke), e sua assistente Robin Ellacott (Holliday Grainger) durante a investigação do possível suicídio da super modelo Lula Landry (Elarica Johnson). O que inicialmente parece ser apenas mais um dia de trabalho para Strike acaba se revelando como o inicio de um mistério bem mais complicado. A séries será transmitida pela BBC no dia 27 de agosto, e pela HBO, onde ainda não tem data definida para estrear.

Confira o trailer:

Resenhas 24ago • 2017

Mestre das Chamas, por Joe Hill

Joe Hill é um dos meus autores favoritos atualmente. Depois que tive a chance de ler Amaldiçoado, e ainda mais depois que li a série de graphic novels Locke and Key, eu tive a total e completa certeza que os trabalhos dele fazem muito o meu gosto, e que sempre que possível eu vou estar pegando um dos livros dele para ler. Então quando apareceu a chance de resenhar Mestre das Chamas eu não hesitei nem por um segundo. E Mestre das Chamas atingiu quase todas as minhas expectativas, exceto por alguns pontos.

Em Mestre das Chamas, uma assustadora doença chamada Escama de Dragão se espalha pelos Estados Unidos, cobrindo os corpos dos infectados com marcas douradas, antes de causar uma combustão espontânea. A enfermeira Harper Grayson tratou centenas de infectados antes de seu hospital pegar fogo. Mas agora ela descobre estar infectada. Quando o surto começou, ela e seu marido Jakob fizeram um pacto de se matarem juntos caso fossem infectados. Mas quando Harper descobre estar grávida, ela decide que quer tentar dar a luz a seu bebê. Jakob não aceita, e a deixa.

A única esperança de Harper é o Bombeiro, um homem misterioso que aprendeu a controlar o fogo da Escama de Dragão. Harper precisa da ajuda do Bombeiro para encontrar um lugar seguro para carregar seu bebê até o fim da gestação, fora do alcance dos Esquadrões de Cremação, grupos de vigilantes que patrulham as ruas armados, a procura de infectados para exterminar.

A escrita do Joe Hill é, como já é de costume nos livros dele, maravilhosa, e consegue passar perfeitamente a sensação de terror e de desespero que os personagens sentem no meio de toda essa destruição. Não apenas por causa da epidemia Escama de Dragão, mas também pelos conflitos resultantes que aparecem em um mundo transformado por uma praga. Mestre das Chamas consegue criar uma visão bastante alarmante do que acontece quando o mundo vira de ponta cabeça e as pessoas se deixam levar pelo medo e pelo extremismo.

Harper é uma ótima protagonista. No começo do livro, ela é uma pessoa bondosa, mas talvez um pouco ingênua, que só quer ajudar as pessoas da unica maneira que ela pode, como enfermeira voluntária. A medida que a história progresse, podemos ver como ela se adapta ao mundo difícil em que vive e se torna uma heroína capaz, que encontra uma comunidade de pessoas na qual ela realmente faz parte. E o melhor de tudo é que ela consegue isso sem precisar sacrificar seu lado mais dócil.

Os outros personagens também são muito bem construídos. O Bombeiro é uma figura interessante que direciona Harper para a comunidade dos infectados, e os outros membros da comunidade, principalmente Allie, Nick e Renee, integram um elenco de apoio com o qual Harper, e consequentemente o leitor, se afeiçoa rapidamente. Quando a vida de um deles está em perigo, é palpável o quanto eles significam para Harper, então os momentos emocionais são bastante fortes.

Infelizmente o livro tem alguns problemas. O primeiro é que ele é meio cansativo. É um livro de quase 600 páginas, então a não ser que você esteja realmente envolvido com a história, não é aquela leitura fácil de concluir. O começo do livro, as primeiras 100 páginas são ótimas, mas chegando na metade do livro, infelizmente a história começa a ficar um pouco maçante. A história tem ótimos momentos ao longo do livro todo, mas existem partes que poderiam ser removidas facilmente.

Outro problema do livro é o final. Depois de passar 500 e poucas páginas acompanhando a história, o final pode parecer um pouco anti climático. O livro realmente tem um problema de ritmo, algumas partes são muito lentas, então quando chega no final, as coisas acontecem um pouco rápido demais. Acho que o livro poderia ter passado por um processo de edição um pouco mais longo, para realmente lapidar esses problemas de andamento. O começo é excelente, o meio é legal, mas o final infelizmente deixa a desejar.

Mestre das Chamas sofreu um pouco pelo hype que eu acabei criando em cima dos trabalhos do Joe Hill. Apesar dos problemas com ritmo, e o final, foi uma leitura extremamente envolvente, com ótimos personagens, e que mostrou de uma forma muito verdadeira os efeitos que o pânico coletivo pode ter nas pessoas. Não seria o primeiro livro do Joe Hill que eu recomendaria, principalmente pelo tamanho, mas com certeza me deixou com vontade de ler os outros trabalhos dele.

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Resenhas 21ago • 2017

O Livro dos Espelhos, por E. O. Chirovici

O professor Joseph Wieder foi assassinado em sua casa alguns depois que jantamos juntos, na noite de 21 para 22 de dezembro de 1987. A polícia nunca encontrou o autor do crime, apesar da longa investigação, mas, pelos motivos que você descobrira a seguir, eu fui considerado um dos suspeitos.

A premissa de O Livro dos Espelhos me chamou a atenção, não apenas pelo fato de se tratar de uma história dentro de outra história, mas também porque o plot é construído em cima de um crime não resolvido, que é um elemento narrativo bastante interessante. No livro, o agente literário Peter Katz recebe um manuscrito não acabado de um homem chamado Richard Flynn. No manuscrito, Flynn documenta seu tempo na faculdade de Princeton, e seu relacionamento com a jovem Laura Baines, e com o professor Joseph Wieder. Numa noite em 1987, Wieder foi assassinado e o crime nunca foi solucionado.

Intrigado pelo manuscrito e pelo possível envolvimento de Flynn no assassinato, Peter entra em contato com o autor afim de conseguir o resto do livro. Infelizmente, ele descobre que Richard Flynn faleceu. E pior ainda, ninguém sabe onde se encontra o resto do manuscrito. Determinado a chegar ao fundo dessa história, Peter recruta o jornalista investigativo John Keller para juntar os pedaços desse quebra cabeça, mas o que John Keller pode acabar descobrindo é que lembranças são coisas perigosas, e que alguns segredos não devem ser revelados.

Apesar do plot interessante, O Livro dos Espelhos não foi uma leitura super empolgante. A escrita do E. O. Chirovici é bastante efetiva, principalmente no que se trata em passar as emoções dos personagens, mas o livro não tem aquela aura de suspense e tensão que eu estava esperando. O mistério por trás do assassinato do professor Wieder é interessante, e a vontade de saber o que exatamente aconteceu naquela noite carrega o leitor pelo livro, mas a história não tem aquela sensação de urgência que eu espero de um livro de mistério.

Eu vi algumas resenhas comparando O Livro dos Espelhos com Filme Noturno (um livro que eu adoro), e eu não faria essa comparação, principalmente porque Filme Noturno é bem mais carregado de suspense do que O Livro dos Espelhos. Ao longo da história, nada realmente marcante acontece, não tem nada tentando impedir os personagens de resolverem o mistério. Então o que sobra são cenas dos personagens falando sobre os acontecimentos da noite do assassinato, o que até pode ser legal, mas não é exatamente o que eu chamaria de uma leitura envolvente.

O livro é dividido em 3 partes, cada uma seguindo um personagem que faz parte da investigação e da procura pelo manuscrito. A primeira parte é focada no agente literário Peter Katz, a segunda no jornalista John Keller, e a terceira em Roy Freeman, um policial aposentando que fez parte da investigação da morte de Wieder anos atrás. Esse formato acaba dificultando um pouco a habilidade do leitor de se identificar e se afeiçoar a qualquer um dos personagens porque fica difícil definir quem exatamente é o personagem principal. No inicio, parece que o foco está em Richard Flynn, mas logo a história passa para Peter Katz, e logo depois passa para John Keller. E apesar disso tudo, quem acaba concluindo a investigação é Roy Freeman. Não temos tempo o suficiente para nos ligarmos a nenhum deles.

Pra ser sincero, o ponto mais interessante do livro é logo no começo, quando nos são apresentadas as primeiras páginas do manuscrito de Richard Flynn. Foi nesse início que eu me senti mais agarrado pela história, e é nele que estão os personagens mais marcantes, Richard, Laura e Wieder. O resto me pareceu processual demais, como aqueles seriados policiais que são praticamente iguais em todos os episódios. Excluindo alguns momentos na parte de Roy Freeman, e as partes do manuscrito de Flynn que eu já tinha mencionado, o livro entrega todos os fatos, mas não os passa de uma forma que entretém o leitor. É simplesmente uma coleção de diálogos, cenas dos personagens falando sobre suas lembranças. É uma história de suspense sem o suspense.

O Livro dos Espelhos não foi exatamente o que eu esperava. Talvez porque me foi vendido como sendo um suspense policial, ou pelas comparações com Filme Noturno, eu realmente achei que seria um livro bem mais intrigante. O que ele entregou, na realidade, é uma exploração interessante sobre um crime não resolvido, e sobre o quanto podemos confiar nas nossas memórias. Não sei se recomendaria pra alguém afim de um bom mistério, mas com certeza não é um livro que eu jogaria fora.

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Resenhas 12ago • 2017

Mais Do Que Isso, por Patrick Ness

“O impacto é bem atrás da sua orelha esquerda. Fratura o crânio, rachando-o ao meio até o cérebro, a força do impacto também esmagando a terceira e quarta vértebras, danificando a artéria cerebral e a coluna vertebral, um  ferimento sem volta, sem recuperação. Sem chance.”

Meu deus, por onde começar com esse livro? Eu iniciei a leitura de Mais Do Que Isso com expectativas bem altas, porque o Patrick Ness escreveu um dos meus livros favoritos de todos os tempos, Sete Minutos Depois da Meia Noite. Somando isso com a sinopse que não entrega quase nada sobre o plot, e eu fiquei realmente intrigado sobre o que esperar de Mais Do Que Isso. E pra falar a verdade, as expectativas foram mais ou menos atingidas. Mas não vamos colocar a carroça na frente dos bois.

Mais Do Que Isso começa com um garoto se afogando. Após morrer afogado, ele acorda, nu, sozinho e confuso no que parece ser a casa onde cresceu. Mas alguma coisa está certamente errada com a casa, a começar pelo fato de que ela, e toda a cidade onde ela fica, estão completamente desertas. Aos poucos, o garoto (e junto com ele, o leitor) vai juntando os pedaços desse quebra cabeça para descobrir exatamente quem ele é, o que aconteceu com ele e como ele pode (se é que pode) voltar para sua vida normal.

Eu realmente não quero explicar nada sobre o enredo do livro nessa resenha porque um dos pontos mais interessantes dele é que você começa a leitura tão confuso quanto o protagonista, e vai de página em página descobrindo cada vez mais detalhes sobre a história. Se eu falar demais sobre o plot, vou estar estragando a experiencia de quem poderia desembrulhar essa história durante a leitura. Basta dizer que não teve um minuto em que eu me senti desinteressado na história, ela me agarrou mais a cada palavra.

O garoto (que acabamos descobrindo se chamar Seth) é um protagonista bem construído. Já que nós passamos o livro todo dentro de seus pensamentos e memórias, realmente dá a sensação de que Seth é uma pessoa de verdade, com todas as complexidades que um garoto de 16 anos tem. Além de conhecermos a mente de Seth, através das lembranças dele vemos como eram seus amigos e sua família, e os relacionamentos entre eles são todos muito bem representados. As conexões que Seth cria com os personagens que ele conhece ao longo da história também são muito bem construídos, e acrescentam muito para o conteúdo emocional do livro.

“A solidão nessa exaustão contínua, a solidão terrível deste lugar o engole, assim como as ondas na qual se afogara. Ninguém aqui. Ninguém além dele. Ninguém. Para sempre.”

Uma coisa que ficou bem claro pra mim com essa leitura é algo que eu já tinha percebido quando li Sete Minutos Depois da Meia Noite: a melhor qualidade da escrita do Patrick Ness é o jeito que ele utiliza situações e elementos surreais para explorar sentimentos e conflitos muito humanos. Por baixo do mistério de o que realmente aconteceu com ele, Seth revive alguns dos momentos mais difíceis da sua vida, de uma forma em que o leitor consegue se identificar bastante e realmente sentir a dor que ele sente. Além disso, Patrick tem um jeito incrível de virar a história de ponta cabeça, toda vez que eu achava que estava entendo pra onde a história estava caminhando, ele vinha e me surpreendia.

A única coisa que eu ainda não me decidi se gostei ou não é o final. Assim como em Sete Minutos Depois da Meia Noite, Mais Do Que Isso toca em várias questões filosóficas e psicológicas, sobre o sentido da vida, e o que realmente pode ser considerado “vida real”, todas muito interessantes, mas o livro corre o risco de ser um pouco abstrato demais, dependendo da perspectiva do leitor. O final não é tão conclusivo quanto eu gostaria, mas ele se encaixa perfeitamente na faixa de pensamento que o livro vinha passando desde o começo, então não é o que eu chamaria de um final ruim. Só não é exatamente o que eu queria.

Ao mesmo tempo em que Mais Do Que Isso faz exatamente o que eu esperava que fizesse, ele também me deixou sem saber o que pensar, o que provavelmente era a intenção do autor. Uma história bastante emocionante e dilacerante que levanta várias questões interessantes, mas que prefere não entregar as respostar diretamente, e deixa para que o leitor as decifre sozinho. Não seria minha primeira recomendação pra quem quer um livro do Patrick Ness (Sete Minutos Depois da Meia Noite ainda reina supremo), mas é com certeza um livro que eu vou ler novamente.

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