Posts escritos por: Beatriz Kollenz

Mangás & Animes Resenhas 17jan • 2017

Orange, por Takano Ichigo

O que você faria se recebesse uma carta do futuro?

A vida de Naho seguia sempre igual, até ela receber uma carta escrita por si mesma no futuro. A carta diz exatamente o que vai acontecer nos próximos dias e pede que ela evite o maior arrependimento de sua vida. Curiosamente, as maiorias das coisas escritas na carta se referem ao estudante Kakeru, o aluno transferido que acabou de entrar na turma.

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Orange foi um estouro desde o início da sua publicação. Na internet todo mundo só falava dele, no Japão as vendas iam de vento em poupa. Infelizmente em 2012, logo após o lançamento do capítulo 9, o mangá entrou em hiatos. A autora alegou não agüentar mais a pressão de ser mangaká e decidiu sair da revista e se aposentar. Esse final prematuro deixou todo mundo chateado. Em 2014 quando todo mundo já desistido de Orange, veio à notícia: o mangá mudaria de revista e voltaria de onde a história parou. Novas edições dos dois primeiros volumes foram feitas sobre o selo da nova revista e, em abril de 2014, o capítulo 10 saiu.

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Quando a JBC anunciou o lançamento de Orange no Brasil foi uma grande alegria, eu era uma das pessoas que sempre dizia que o mangá nunca seria publicado por aqui, ainda bem que estava errada. O que mais me encanta na história é a alternância entre o passado e o futuro. As coisas caminham bem rápidas e logo no primeiro volume sabemos qual é o tal arrependimento que todos carregam. O grupo de amigos é muito bem construído, nós acreditamos na amizade deles e no quanto eles se preocupam uns com os outros.

Gosto muito de todos os personagens principais e secundários, mas o meu amor mesmo é o Suwa. A forma como ele se sacrifica pelos amigos é muito bonita, foi por causa dele que eu chorei durante a minha leitura. A Naho também é um amor, a forma como ela lida com as cartas e com medo de que as coisas dêem errado é bem humana. Quando a Naho se questiona sobre diversos assuntos, tanto no presente quanto no futuro, ela nos coloca para refletir sobre nossas vidas e sobre nossa atitude no presente. O que devemos fazer para evitar arrependimentos no futuro? O que faríamos se pudéssemos mudar o passado? Depois de cada capítulo eu ficava divagando sobre essas coisas.

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A forma como o mangá lida com a depressão e o suicídio é muito sensível. É impossível não se emocionar com a dor e o sofrimento de alguns personagens. Super indico Orange para quem ainda não conhece nenhum mangá e quer iniciar a leitura por alguma obra. É uma série completa com cinco volumes. Possui um live action, um anime e recentemente saiu no Japão uma animação que conta a história pelo ponto de vista do meu amado Suwa. Também será lançado na Manga Action um gaiden narrando à história do último filme. Ainda não sabemos se o gaiden vai ser lançado no Brasil, por enquanto ficamos na torcida.

Mangás & Animes 30dez • 2016

Top mangás de 2016

Olá! Hoje eu vim aqui para contar quais foram os melhores mangás que li em 2016. Esse ano foi MUITO bom nessa área, conheci várias obras de grande qualidade. Decidi colocar na lista apenas os mangás que comecei nesse ano, alguns são bem antigos, mas só resolvi ler em 2016. Sem demais delongas vamos ao meu top (que não está em ordem, não sei fazer essas coisas).

Akatsuki No Yona

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Acho que esse foi o meu mais novo xodó. Eu amo muito a Yona, o mangá e todos os personagens, entrou para a minha lista de obras favoritas em andamento. A história deste mangá gira em torno da princesa Yona. Yona é uma menina mimada que passa a vida no palácio e só sabe suspirar pelo seu primo So Yoon. As coisas começam a complicar quando So Yoon assassina o Rei, Yona então foge com a ajuda do seu guarda-costas Hak e So Yoon assume o poder. O que mais me chamou a atenção nesse quadrinho foi a princesa. Yona é badass. O crescimento dela ao longo dos capítulos é excelente. Outra coisa extremamente boa são os coadjuvantes. Todos têm um background bem explorado e são muito simpáticos. O mangá conta com 21 volumes em andamento e uma séria animada (que eu indico pra caramba caso fique com preguiça de ler).

Watashi Ga Motete Dousunda

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Esse foi o ano em que mais dei risadas em um mangá, culpa disso é Motete. O foco aqui é comédia e tudo gira em torno da Kae e seu estranho harém. A série brinca com o fato de Kae ser uma fujoshi (nome dado a otakus apaixonadas por um Yaoi), Kae é exagerada em vários aspectos e a história começa quando Kae emagrece após a morte do seu personagem favorito de uma série de anime. Há algumas críticas sobre o mangá ser gordofóbico, não foi algo que me incomodou já que mais pra frente os personagens aceitam a protagonista do jeito que ela é. Várias críticas ainda são ditas sobre o quadrinho e acho legal deixar isso como disclaimer, da minha parte acho uma série muito boa e engraçada. Atualmente a série possui 10 volumes em andamento e a série animada também está sendo transmitida pelo Crunchyroll.

Annarasumanara

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Ok, talvez a presença desse quadrinho aqui seja meio roubada já que se trata de um Manhwa (nome dado aos quadrinhos coreanos). Roubado ou não foi uma das melhores leituras do ano. Repleto de experimentações e simbolismos, Annarasumanara conta a história de Yoon Ah-Ee uma menina pobre que se mata de trabalhar para cuidar da família. O pai de Yoona Ah-Ee desaparece deixando a menina cheia de dívidas, além disso ela sofre bullying na escola e tem que lidar com o assédio do seu patrão. A vida da nossa protagonista começa a mudar quando, ao visitar um velho circo da cidade, ela encontra um homem que se diz ser um mágico de verdade. A pergunta “Você acredita em mágica?” segue por toda a história. Com uma premissa bem simples e um desenvolvimento excepcional, é mais do que indicada a leitura. A série foi originalmente publicada como Webtoon, então você pode ler ela online aqui.

The Music of Marie

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Se você nunca leu um mangá começar por aqui pode ser uma coisa boa. The Music of Marie é uma série de apenas dois volumes que prova que tamanho não é documento. Muito bem planejada e executada do início ao fim, ela conta a história de um mundo onde não existe tecnologia e as pessoas vivem em completa paz. Tudo isso só é possível pela entidade Marie que protege e mantém a vida de todos neste mundo. A história é narrada por Kai e Pipi e começa durante um episódio marcante na infância dos dois. O autor é um artista plástico então você já pode esperar quadros impecáveis, daqueles que você quer pendurar na parede e ficar admirando o dia todo. É difícil falar dessa obra sem dar muitos spoilers, mas confie em mim nessa indicação. Quando você terminar os dois volumes vai querer reler imediatamente.

Kokou No Hito

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Minha última leitura do ano (mentira, acabei de reler Sunadokei) e meu primeiro mangá de esportes. Nunca fui uma pessoa que gosta do gênero de esportes, mas 2016 me surpreendeu duas vezes nesse quesito:  a primeira foi com o anime Yuri!!! On Ice, a segunda com a história de Mori Buntarou narrada ao longo dos 17 volumes de Kokou No Hito. O esporte retratado aqui é o montanhismo, este é mostrado de uma forma bem crua e realista, algo que eu nunca vi quando se tratava de mangás do gênero. Demorei um pouco para engatar a leitura, mas depois do terceiro volume ela flui perfeitamente. Aqui temos mais um mangá cheio de simbolismos e quadros bonitos, e ele faz isso como ninguém. Ao longo da história vemos toda a vida de Mori, desde quando conheceu o esporte na nova escola até a sua escalada ao K2.

Monster

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Assim que terminei a leitura de Monster comecei a espalhar a palavra chamando todo mundo que conhecia para ler. Um mangá muito famoso e um Thriller sem igual, a história começa mostrando a vida Kenzou Tenma, um neurocirurgião japonês que vive na Alemanha. A coisa começa a complicar quando ele descumpre as ordens do hospital para operar uma criança que levou uma bala na cabeça em circunstâncias estranhas. Todo o mangá se passa na Alemanha depois da queda do Muro de Berlin, um cenário bem original e explorado ao longo dos 17 volumes. A obra foi publicada no Brasil pela Panini e você consegue encontrar ela em lojas especializadas.  Também possui uma série animada totalizando 74 episódios.

Ore Monogatari

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Eu tinha muita vontade de ler Ore Monogatari, quando a Panini anunciou a publicação do mangá aqui nas nossas terras eu prometi para mim mesma que iria colecionar. Logo que veio o primeiro volume eu percebi que Ore não era um mangá shoujo comum. A história é narrada pelo Takeo, um cara nenhum um pouco perto do ideal de beleza japonês. Takeo tem um coração de ouro que conquista todo mundo que resolve dar uma chance a ele, pena que sua aparência nada convencional afaste algumas pessoas. As coisas mudam quando ele conhece a Yamato, a dúvida fica no ar: será que ela vai gostar dele ou se apaixonar pelo amigo bonitão Makoto? Ore Monogatari está sendo lançado no Brasil pela Panini bimestralmente e já tem 3 volumes publicados, corre para banca adquirir o seu. A série também conta com um anime e um filme.

Inside Mari

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‘Boku Wa Mari No Naka’ ou  ‘Inside Mari’ é um seinen psicológico sem comparação. Deliciei-me com a leitura dos 9 volumes do início ao fim. A premissa da história é bem peculiar, aqui temos Komori, um típico perdedor. Ele não estuda, mata as aulas da faculdade, não tem dinheiro e passa o tempo todo em seu apartamento. Komori costuma ir às lojas de conveniência para observar uma colegial, a Mari. Em uma dessas idas a loja Mari percebe que está sendo perseguida e Komori desmaia. No dia seguinte ele acorda dentro do corpo de Mari. Foi uma grata surpresa todo o desenvolvimento do mangá, principalmente a questão do gender-bender (estilo de história onde temos homens e mulheres com os gêneros trocados). Foi uma super leitura.

Kamisama Hajimemashita  

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Ta aí uma história amada por muitos e que não me atraia nem um pouco. No ano em que o anime foi lançado, assisti o primeiro episódio e fiquei com a impressão de que seria mais um daqueles shoujos cheios de relacionamento abusivo e estupro.  Fico feliz ao ver que me enganei. Resolvi ler Kamisama quando vi a indicação em um site feminista que eu sigo, a sinopse me deixou curiosa e resolvi deixar o medo de lado e ler. Kamisama narra a história de Nanami, uma garota pobre que acabou de ser despejada de casa e abandonada pelo pai. Nanami está em um parque desesperada por não ter para onde ir, até que um cara muito estranho resolve o seu problema. Nanami então recebe o poder de um Deus e passa a ser responsável por um templo abandonado. Tudo seria maravilhoso se Nanami não tivesse problemas com Tomoe, o guardião do templo. Temos aqui um mangá fofo, cheio de amor do início ao fim. Kamisama Hajimemashita tem 25 volumes já completos e possui duas temporadas de anime e uma série OAD.

Uzumaki

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Creio que a maioria das pessoas conhece ou já leu Uzumaki. Um dos mais famosos mangás de terror do Japão, Uzumaki trata da história de uma cidade assombrada pelas espirais. Tinha muito medo de ler mangás de terror, sou a pessoa mais medrosa do planeta. Se eu assistir um trailer de filme de suspense eu fico com medo durante uma semana. Mas aqui a coisa foi diferente, grande parte disso se deve a influência de Lovecraft na mangagrafia do autor. Junji Ito virou um dos meus mangakás favoritos. A arte e a história de Uzumaki são excelentes e você pode conferir ao longo dos seus 3 volumes. A série foi lançada no Brasil pela Conrad, mas acredito que os mangás já estejam esgotados. Também temos um filme de 2000 (que eu não assisti por motivos de MEDO).

Mangás & Animes 06dez • 2016

Conhecendo o mundo dos mangás

Orange da autora Takano Ichigo, publicado no Brasil pela JBC

Orange da autora Takano Ichigo, publicado no Brasil pela JBC

Olá, sou a Bia e estarei agora participando da equipe do blog. Vou trazer resenhas de livros e quadrinhos, principalmente de mangás que são a minha paixão. Para começar eu resolvi falar um pouquinho sobre o que são mangás e como funciona a publicação deles lá no Japão. O mangá que nós conhecemos hoje surgiu durante a ocupação americana, após a segunda guerra mundial. Durante esse tempo o Japão sofreu grandes influencias dos Estados Unidos e, como não seria diferente, os quadrinhos americanos também influenciaram os japoneses. O formato do mangá moderno deve muito a  Osamu Tezuka, foi o ele quem inseriu muitas das características que nós vemos hoje nos mangás.

Os mangás são publicados primeiramente nas antologias, após um número de mais ou menos cinco capítulos, são compilados em volumes. As revistas japonesas são classificadas por demografia, o que acaba confundindo muita gente. São as principais demografias: o Shounen, voltado para um público masculino e mais jovem; o Shoujo, voltado para o público feminino mais jovem; O Seinen e o Josei, voltados para os públicos adultos de ambos os sexos. É comum encontrar histórias de diversas temáticas e de diversos gêneros em todas as demografias.

O que mais confunde os leitores na hora da classificação são os gêneros de romance e a ação. É comum encontrar mangás com romance erroneamente classificados como Shoujo, já que no inconsciente de muita gente isso “só pode ser coisa de mulher”. Histórias de aventura e ação também estão presentes nos mangás para o público feminino, e muitas vezes as pessoas pensam que por conta do teor de ação e violência são de demografia voltada para o público masculino. Existe uma infinidade de histórias, temáticos e cenários no mundo dos quadrinhos japoneses.  Você encontra mangá sobre praticamente tudo. Se você quer ler algo sobre comida, vai encontrar. Se seu foco é esporte, vai existir uma história sobre o assunto. Fantasia, piratas, romance escolar? Existe tudo.

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Após o grande sucesso de animes como Dragon Ball, Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e Sakura Card Captor, os mangás ganharam espaço no mercado brasileiro. As editoras procuram licenciar principalmente obras com adaptações de sucesso ou já conhecidas do grande público.  Aqui no Brasil, os quadrinhos japoneses são lançados pela JBC, Panini, NewPop, Nova Sampa, L&PM, Abril, Alto Astral e Conrad. Não tenha medo de se jogar nesse mundo, agora no Brasil temos a publicação de títulos excelentes, obras de todos os tamanhos e em vários formatos só te esperando.

Você pode assinar direto com as editoras, comprar em lojas online como a Saraiva e a Amazon, lojas especializadas como a Comix, JWorld, Amora Bookstore e isso são só alguns exemplos. Você também encontra nas bancas de jornal de sua cidade. Vários títulos da JBC e Panini agora possuem distribuição nacional, então você não fica mais atrás das capitais. Nas próximas postagens irei resenhar alguns mangás e te dar o pontapé que estava faltando para você se aventurar no mundo dos quadrinhos Japoneses, até lá.

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