Posts escritos por: Débora Costa

Resenhas 09dez • 2017

O Príncipe Leopardo, por Elizabeth Hoyt

Eu sempre tive essa teoria de que o segundo livro de uma trilogia é melhor que o primeiro e o terceiro livro e, para a minha felicidade, essa teoria se tornou realidade novamente – bom, pelo menos no que se diz respeito ao primeiro livro. O Príncipe Leopardo foi uma leitura muito deliciosa, com personagens divertidos e diálogos que eu quero revisitar mais de uma vez. Elizabeth Hoyt me provou que também é capaz de criar uma heroína forte e dona de si mesma. E o que mais eu poderia pedir em um romance, não é mesmo?

Diferente de O Príncipe Corvo, neste segundo livro da Trilogia dos Príncipes, a autora conseguiu desenvolver melhor os seus personagens mas, principalmente, a sua narrativa. O Príncipe Leopardo tem uma leitura bem mais leve que o primeiro livro, os capítulos se desenvolvem num ritmo que prende o leitor e ainda temos um mistério a ser solucionado que com certeza vai deixar todo mundo no mínimo curioso para saber a verdade no final.

A escrita de Hoyt neste livro não é tão pesada. O foco está todo no desenvolvimento dos personagens e acho que isso fez com que a autora tomasse um pouco mais de cuidado no desenrolar da história, evitando deixar tantas pontas soltas – coisa que eu reclamei demais durante a leitura de O Príncipe Corvo. Além disso, os diálogos neste segundo livro estão muito mais trabalhados e divertidos. Os personagens principais tem uma personalidade marcante e mesmo ainda tendo pequenas falhas, eu consegui me diverti muito com essa leitura.

“Quando descobrira que o proprietário das varias terras que administraria era uma mulher, Harry ficara surpreso. Mulheres, em geral, não eram donas de terras. Normalmente, quando uma mulher possuía uma propriedade, havia um homem – filho, um marido ou um irmão – por trás de tudo, o verdadeiro mandante, a pessoa que decidiria como as terras seriam administradas. Mas, embora Lady Georgina tivesse três irmãos, era a própria dama que estava no controle.”

Georgina é sem dúvida uma heroína muito melhor do que Anna foi. Talvez por ela ser dona de sua própria fortuna e não precisar de um casamento, isso a tenha feito ter uma personalidade com a qual eu tenha facilidade de me identificar. Eu sou uma apaixonada por heroínas de romance que escrevem sua própria história e não ficam esperando o cavalheiro para salvá-la e Georgina foi exatamente essa personificação para mim. Inclusive, se ela fosse uma pessoa de verdade, nós seríamos melhores amigas, sem dúvida.

O romance de O Príncipe Leopardo também foi outro ponto que eu gostei muito nesse segundo volume da trilogia. Harry e Georgina se encaixavam perfeitamente como um casal. Ambos tinham suas inseguranças em relação ao que estavam sentindo e navegaram pelo relacionamento no seu próprio tempo, sem ceder às pressões da família ou da sociedade. Hoyt conseguiu trabalhar muito bem esses aspectos do relacionamento romântico deles e eu achei muito importante que ela tenha construído essa relação respeitando as limitações de ambos.

“O Sr. Pye, lutando com a rolha de uma garrafa de vinho branco, ergueu o olhar e sorriu para ela. Por um momento, Georgina se perdeu naquele sorriso, o primeiro sorriso de verdade que vira no rosto dele.”

Uma das poucas coisas que realmente me incomodaram nesse livro é que a autora insiste em criar personagens que não vão ser realmente utilizados na história e não dar um final apropriado para eles. Ela cometeu esse mesmo erro em O Príncipe Corvo e o repetiu em O Príncipe Leopardo. Eu realmente fico muito frustrada quando os personagens secundários não ganham um final apropriado para o seu arco, mesmo que ele seja completamente irrelevante para a história principal.

E se você gosta de um crossover em romances de época assim como eu – vide a minha obsessão pelos livros da Sarah MacLean – fique feliz em saber que o Conde de nome quase impronunciável, que é personagem principal de O Príncipe Corvo, faz uma breve e relevante aparição neste segundo livro, o que eu julguei bastante pertinente reunir todos os príncipes em uma cena, embora eu ache que isso também poderia ter acontecido no primeiro livro, mas já estabelecemos que eu e Hoyt discordamos em muitas coisas não é mesmo?

Eu só posso dizer, e isso com um alívio enorme no peito, que O Príncipe Leopardo foi uma leitura que valeu muito a pena para mim. Eu me diverti com os diálogos e me apaixonei junto com os personagens. Eu ri e me envolvi na relação de Harry e Georgina, consegui me conectar com ambos os personagens e ainda fiquei meio triste que o livro tinha acabado. Acho que de todas as experiências de leitura que podemos ter, essa sensação de “satisfação” é a melhor delas.

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Entrevistas 08dez • 2017

Uma conversa com Ray Tavares, autora de Os 12 Signos de Valentina

Eu nem preciso dizer que aqui no La Oliphant, eu e os colabs, estamos completamente apaixonados pelo livro “Os 12 Signos de Valentina”. Além da Ray ter uma escrita maravilhosa, a sua personagem Isadora é uma garota de quem todo mundo ia gostar de ser melhor amiga. O livro foi lançado sob selo Galera Record, mas a verdade é que ele veio diretamente do Wattpad, o que só faz tudo ser mais incrível ainda, não é mesmo?

Os 12 Signos de Valentina é o livro perfeito para os leitores que adoram um mapa astral, viu? O livro vai contar a história da Isadora, uma garota que, depois de ter o seu coração partido por um pisciano, resolve criar um blog anônimo para contar as suas experiências com os boys de cada signo. E assim nasce “Os 12 Signos de Valentina”. Para saber mais sobre essa história que de perfeita tem TUDO, eu conversei com a Ray Tavares sobre seu livro de estreia e se você está interessado nesse enredo, essa entrevista vai te convencer a colocar o livro na estante.

Entrevista completa com Ray Tavares:

La Oliphant: Oi Ray! Primeiro eu queria muito te agradecer por conversar comigo sobre o seu livro. Eu não sei se muitas pessoas sabem que, inicialmente, você escrevia fanfics – eu lia Gossip Boys, viu?!  Como que foi esse processo de você sair de uma escrita de fanfic e começar a trabalhar na construção do seu próprio universo? Você teve que mudar muita coisa na forma como você desenvolvia o seu enredo e personagens?

Ray Tavares: Eu que agradeço pela oportunidade e por estar me ajudando tanto com a divulgação do livro – eu amei a resenha do blog. <3 Menina, parece até que faz uma vida que eu comecei a escrever Gossip Boys! Eu inclusive estou repostando ela no Wattpad, e parece outra Ray escrevendo, uma com menos técnica, mas muito mais sonhos impossíveis. É esquisito, porque a maior transição não foi passar de fanfics para histórias originais, mas sim o amadurecimento pessoal, que me levou a não querer mais falar sobre os carinhas da minha banda favorita, mas sim contar histórias que poderiam muito bem se passar no nosso dia-a-dia. Acho que a grande diferença foi parar de sonhar com coisas impossíveis e começar a encontrar inspiração em histórias reais, em narrativas que poderiam acontecer comigo, com você, com qualquer pessoa.

La Oliphant: Todo mundo sabe que ser autor nacional no Brasil não é uma tarefa muito fácil. Exige muito trabalho, dedicação e graças ao Wattpad, muitos acabam conseguindo chamar a atenção das editoras, não é mesmo? Como que foi, para você, a experiência de sair do Wattpad e ir trabalhar com a Galera Record?

Ray Tavares: É incrível, né? Poder ter a estrutura necessária para conhecer outras cidades do Brasil em sessões de autógrafo, uma equipe editorial impecável, uma equipe de marketing incrível, pessoas lá dentro que se tornaram minhas amigas de verdade! Foi a melhor experiência da minha vida! Mas a gente também precisa abrir os olhos de quem acha que é fácil, ou rápido, ou “vou acumular um número X de leituras e todas as editoras vão me querer”, porque não é assim. Eu escrevo desde os 13 anos, foram 11 anos online em site de fanfics, sites próprios e, eventualmente, no Wattpad. Eu sempre me dediquei de corpo e alma. De Wattpad mesmo foram 4 anos antes de conseguir chamar a atenção de uma editora grande! Então se a pessoa não está disposta a se dedicar verdadeiramente à escrita, se ela não tem paciência nem estrutura para lidar com a rejeição (porque serão muitas), ela vai acabar se frustrando, porque as coisas são lentas, você precisa criar uma base de leitores que curtem suas histórias, escrever pra caramba, produzir conteúdo de boa qualidade sempre… não é fácil. Ainda mais quando não vivemos disso, escrevemos de graça e temos que conciliar com faculdade, estágio, emprego, etc.

La Oliphant: Falando um pouco sobre “Os 12 Signos de Valentina”, de onde veio a ideia de criar a Isadora e todos os personagens maravilhosos que estão nesse livro?! Você sempre teve essa vontade de inserir o universo astrológico dentro do enredo?Ray Tavares: Foi uma ideia muito mais generalista do que específica – eu não acordei um dia e pensei “eureca, tenho um enredo inteiro na minha cabeça!”, eu só imaginei como seria divertido misturar romance com astrologia, e as partes do todo vieram aos poucos, depois de muito quebrar a cabeça no roteiro. A Isa é muito parecida comigo, o Andrei foi criado em base nas características que eu considero legais em um cara, a Marina é uma mistura de todas as minhas amigas e o Rodrigo é um apanhado dos meus amigos nerds. “Os 12 Signos de Valentina” foi muito mais construção e trabalho contínuo do que uma super inspiração que eu tive no chuveiro! Claro que eu tinha os meus momentos, e, no meio da história, tive uma desilusão amorosa, então contribuiu para conseguir chorar as pitangas de maneira tão realista! Hahaha.

La Oliphant: O livro quando é publicado por uma editora acaba sempre passando por algumas mudanças. Como que foi para você ter que adaptar “Os 12 Signos de Valentina” do formato Wattpad para o formato de publicação? Teve muitas mudanças da versão original ou você conseguiu manter muito do que os leitores já conheciam?

Ray Tavares: Cara, eu estava um pouco receosa com as coisas que teria que mudar, porque eu sou muito apegada com o plot de “Os 12 Signos de Valentina”, mas, no final das contas, a minha editora é tão maravilhosa que acabou deixando o livro muito melhor do que o original sem mudar nada em sua essência. Eu só cortei pequenos detalhes, coisas que não condiziam muito bem com a realidade, e adicionei cenas importantes para contextualizar o antigo relacionamento da Isa e explicar melhor o porquê dela ter ficado tão mal com o término. O livro ficou muito bom depois desse processo!

La Oliphant: Nós sabemos que “O 12 Signos de Valentina” não fala apenas sobre a experiência da Isadora conhecendo todos os signos do zodíaco, mas também aborda questões sobre política e feminismo. Você sentiu alguma rejeição por parte dos seus leitores ao escolher abordar esses temas na história?

Ray Tavares: Olha, por parte dos meus leitores não, porque quem me acompanha há bastante tempo sabe que eu sou muito apegada a questões sociais; eu sou formada em gestão de políticas públicas, então meu apego à questões que impactam o Brasil é muito grande. Eu tenho as minhas ideologias e não tenho nenhuma vergonha em mostra-las, porque eu acho que o pior que uma pessoa que tem um público pode fazer é ficar em cima do muro em questões que esbarram na sociedade em que está inserida – eu acho que todo mundo que tem o poder de influenciar alguém deveria fazer algo benéfico com isso, tentar mudar alguma coisa. Por que eu vou ficar quieta quando sei que existem adolescentes que podem ler o meu livro e se sentir mais empoderadas? Ou, não sei, ler o meu livro e repensar questões ultrapassadas, como homofobia ou machismo. Então eu falo mesmo, cutuco mesmo, e tive uma ou duas reclamações em resenhas do livro sobre misturar romance e política, mas acho que essas pessoas claramente não me conhecem! Isso não me incomoda, porque é o meu estilo de escrita, faz parte da minha essência como escritora, então, se a pessoa não curte mesmo ser provocada com algum tema polêmico enquanto lê um romance, os meus livros não vão fazer muito o gosto dela.

La Oliphant:  Todo o autor tem o seu próprio processo de escrita e criação dos seus personagens. Como foi que a Isadora surgiu para você e como que você soube qual seria a história dela?

Ray Tavares: A Isadora é uma versão mais corajosa de mim mesma! A criação dela foi fácil, porque ela faz parte de mim, e as atitudes que tomou ao longo da história fazem sentido na minha cabeça; é fácil construir um personagem que parece bastante com a gente, difícil é construir um que seja completamente diferente, como está sendo a minha próxima heroína. Agora, a história da Isa foi um pouco mais complicada, porque é bem difícil você passar a mensagem de que todos nós temos que ser felizes sozinhos antes de encontrar alguém no meio de um livro de romance, né? Hahahaha. Mas depois de muito quebrar a cabeça, acho que eu consegui construir algo que se assemelhe com essa mensagem.

La Oliphant: Vamos falar um pouquinho de signos?! Eu sei que tem muita informação sobre o zodíaco por aí. No Facebook mesmo temos diversos grupos e muita gente disposta a interpretar o seu mapa. Você teve que fazer uma pesquisa muito longa sobre cada signo para poder desenvolver seus personagens? E qual foi o signo que você mais gostou de escrever?!

Ray Tavares: Eu sempre me interessei por astrologia, leio sobre o assunto desde pequena, porque a minha mãe curte muito e passou esse hobby pra mim. Eu pesquisei bastante, claro, mas muita coisa foi meio que intuitiva dos perfis que eu já havia criado na minha cabeça! Acho que o mais divertido foi o sagitariano, porque são pessoas bem peculiares e a cena ficou bem engraçada!

La Oliphant: Muitos leitores ainda tem uma certa resistência aos livros nacionais. Em algum momento você sentiu rejeição por parte dos leitores? E o que você diria para os autores iniciantes que ainda estão tentando conquistar o seu espaço no meio editorial?

Ray Tavares: Eu não senti propriamente uma rejeição, do tipo “isso eu não vou ler porque é nacional”, mas sempre rola o famoso “eu tenho um monte de livro gringo pra comprar, mas assim que conseguir dinheiro eu compro o seu!”, hahaha. Mas sabe que eu sinto que isso vem mudando? Eu via tanta gente com livro nacional embaixo do braço na Bienal que fiquei esperançosa que esse cenário se reverta nos próximos anos! E se a gente for ver, a lista com os mais vendidos das grandes editoras na Bienal do Rio desse ano tinha muito título nacional. Acho que o negócio é continuar incentivando autores nacionais que você admira, porque isso abre portas para que, daqui algum tempo, o nosso “market share” seja de 50% pra 50%. Não adianta a gente ficar puto porque determinado autor conseguiu publicar pela editora dos nossos sonhos, ou porque determinada autora vende que nem água – eles estão trilhando o caminho quando ele ainda é de terra, porque daqui a pouco serão capazes de pavimentar tudo e mais escritores vão poder seguir suas carreiras em uma estrada asfaltada! Nossa, que metáfora, eim? Hahahahaha.

La Oliphant: Para a gente finalizar, eu gostaria de saber se nós temos outros projetos seus vindo por aí. Eu sei que você tem outros livros no Wattpad e os leitores do blog gostariam muito de saber se podemos esperar outras publicações vindo por aí. Diz que sim!

Ray Tavares: Siiiim! Tenho dois projetos pra 2018, um sai logo no primeiro semestre, e vai ser um livro de contos com heróis do imaginário popular transformados em mulheres e com cenários atuais. A Fernanda Young ficou com o Zorro, a Laura Conrado com os Três Mosqueteiros, a Pam Gonçalves com Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda e eu fiquei com o Robin Hood! E no segundo semestre tem meu segundo livro solo, em que eu vou ensinar todo mundo a sair da friendzone! 😀

 

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Isadora é ariana e seu ex namorado pisciano… Inferno astral! Em busca da combinação astrológica perfeita, ela cria um blog para relatar suas experiências Isadora descobriu da pior forma possível que o namorado a traíra. E com sua melhor amiga, ainda por cima! A estudante de jornalismo entra numa fossa sem fim. Sem nenhum estágio à vista, ela se afoga em filmes feitos para chorar, pizza e em sua mais nova obsessão: stalkear o perfil do ex namorado no Facebook. Até descobrir exatamente o que deu errado entre ela e Lucas: seus signos são incompatíveis. Basta encontrar um rapaz de libra e seu mundo entrará nos eixos novamente. Com a nova obsessão e a desculpa do trabalho final de jornalismo online, uma reportagem investigativa sob um pseudônimo, Isadora une o útil ao agradável e cria um blog para relatar a experiência: Os 12 signos de Valentina. Já que precisa encontrar o libriano perfeito, por que não aproveita e experimenta os outros signos do zodíaco para ter certeza mesmo?

 

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Resenhas 03dez • 2017

Enraizados, por Naomi Novik

Conhecer a escrita de Naomi Novik se provou ser um desafio muito maior do que eu imaginava. Ainda agora, mesmo depois de ter terminado de ler Enraizados e estar completamente dividida sobre ter apenas “gostado” ou realmente amado esta leitura. Novik é uma autora que não brinca em serviço quando se trata de entregar uma boa história para os seus leitores. Conhecida pela sua série Temeraire, o universo criado por Naomi Novik em Enraizados não deixa a desejar. Quebrando todos os clichês que uma história pode quebrar, Enraizados foi uma leitura que me deixou entorpecida e completamente apaixonada por todos os seus personagens.

Acho que o grande trunfo de Enraizados é toda a questão que envolve o “sacrifício” de uma jovem da vila. Existem várias histórias sobre o que realmente acontece quando a garota é levada para a torre do Dragão e, assim como a nossa personagem principal, Agnieskza, nós somos movidos pela curiosidade de tentar entender quem é o Dragão de verdade e o que acontece com as moças que ficam presas a ele por dez anos. Confesso que nos primeiros capítulos desse livro eu me senti um pouco perdida na história, mas conforme Novik foi contextualizando os acontecimentos, o universo criado por ela foi tomando vida diante dos meus olhos e eu fui me apaixonando cada vez mais por essa leitura.

Não vou mentir. Até mais da metade do livro, Enraizados foi uma leitura bastante complicada para mim. Novik tem uma escrita pesada, lenta e carregada de detalhes que eu não estava esperando. Demora muito para que o enredo realmente comece a se desenvolver. Na verdade, eu diria que as primeiras 250 páginas do livro são uma longa introdução para o que vai acontecer a seguir. Mas, tendo um ponto de vista bem otimista, esse longo desenvolvimento é interessante para que o leitor possa conhecer e explorar melhor os personagens criados pela autora. Eu, particularmente, adorei me envolver mais na amizade de Kasia e Agnieskza.

“Mas havia algo anormal no seu rosto: um ninho de corvo formado por rugas perto dos olhos, como se os anos não conseguissem alcança-lo, mas o uso, sim. Mesmo assim não era um rosto feio, mas a frieza o tornava desagradável: tudo nele dizia ‘Não sou um de vocês e também não quero ser.”

Eu gostei mais de Agnieskza do que realmente pensei que fosse gostar – no começo do livro eu achei que ela fosse ser uma personagem passiva, mas ainda bem que eu estava enganada. Sua personalidade é algo desafiador de ler porque, mesmo se mantendo firme diante dos desafios e dos medos que sente, ela ainda tinha uma parte bastante sensível, de uma pessoa que foi tirada da sua própria “vida”, destinada a se tornar algo muito maior do que ela mesma acreditava ser capaz. A forma como é construída a evolução da personagem é interessante, principalmente a parte em que ela narra a sua relação com o Dragão e os caminhos que trilharam juntos ao longo do enredo.

Tenho certeza de que muitas pessoas não conseguiriam encarar essa leitura por causa do enredo pesado e do desenvolvimento demorado. Eu mesma pensei várias vezes que ia acabar abandonando a história e fazendo a resenha mais negativa da minha vida. Porém Novik tem esse talento de construir algo maravilhoso diante dos nossos olhos e não deixar que a gente perceba. Enraizados é um enredo cheio de magia, mistério, um universo convidativo e cheio de detalhes. Detalhes esses que, em meio a todos os acontecimentos, passam despercebidos, mas que no final se encaixam de uma forma maravilhosa.

“Todas essas histórias devem ter acabado desse mesmo jeito, com alguém cansado saindo de um campo cheio de morte e indo para casa, mas ninguém jamais cantava essa parte.”

Eu me surpreendi e me emocionei demais com a leitura de Enraizados. Apesar dos altos e baixos do enredo, Naomi Novik conseguiu me tirar da minha zona de conforto e me apresentou a um universo que talvez eu ainda não estivesse preparada para conhecer. Eu gostei demais da forma como a autora quebrou todos os tipos de padrões dentro desse livro e deu voz a personagens que, normalmente, são deixados de lado. Se você é um leitor capaz de deixar de lado a lentidão do enredo para ter uma aventura inesquecível, então eu acho que enraizados é a leitura perfeita para você.

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Promoções 02dez • 2017

Ganhe ingressos para O Assassinato no Expresso do Oriente

O Assassinato no Expresso do Oriente acabou de estrear nos cinemas brasileiros e nós do La Oliphant estamos com uma surpresa incrível para os leitores do blog que são completamente apaixonados pela rainha do crime. Agatha é uma das autoras mais amadas entre os leitores e quando a adaptação de O Assassinato no Expresso do Oriente foi anunciado, todo mundo ficou enlouquecido para que o filme chegasse as telinhas de uma vez. E se você, assim como eu, está ansioso para ver esse filme, segure o forninho porque:

Nós vamos sortear alguns PARES DE INGRESSOS para que vocês possam assistir ao filme!

Gostaram da surpresa?! E não é só ingresso que vocês vão ganhar não, viu? Neste sorteio maravilhoso, em homenagem a essa autora maravilhosa, nós também vamos sortear alguns mimos para os nossos leitores, porque eu sou assim mesmo, puro amor, viu?

Neste sorteio especial nós vamos ter TRÊS GANHADORES. Cada ganhador irá levar para casa 1 par de ingressos para assistir ao filme nos cinemas além de outros prêmios que também iremos sortear. Lembre-se que, antes de de participar, é preciso conferir o regulamento do sorteio, correto?

Confiram os prêmios:

1° Ganhador – Box Agatha Christie Vol.01 + 1 Par de Ingressos
2° Ganhador – Livro O Assassinato no Espresso do Oriente + 1 Par de Ingressos
3° Ganhador – Ecobag (*Imagem ilustrativa) + 1 Par de Ingressos

*Atenção: Os prêmios deste sorteio serão enviados separadamente aos ganhadores.

a Rafflecopter giveaway
Regulamento do Sorteio:

1. A promoção é válida ATÉ 10/12, tendo seus ganhadores anunciados na fanpage do blog;
2. Este sorteio é realizado através da plataforma Rafflecopter;
3. Para validar o prêmio o ganhador devera cumprir com todas as obrigatórias do Rafflecopter;
4. Ao fim da promoção será sorteado apenas 03 ganhadores, sendo cada um para um respectivo prêmio;
5. A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
6. Os ganhadores terão o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhes será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
7. O envio dos prêmios será realizado separadamente. Primeiro serão enviados os ingressos num prazo de 3 dias e em até 90 dias serão enviados os outros prêmios do sorteio.
8. O blog não se responsabiliza por extravio, atraso na entrega dos Correios. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

Literaría 28nov • 2017

Belo Desastre: parece amor, mas é cilada

Assim como qualquer outro leitor de New Adult, eu também já fui uma completa apaixonada por Travis Maddox. Foi por volta de 2012 a primeira vez que me falaram sobre esse livro e ele ainda nem tinha chegado às livrarias. O frenesi girava em torno do enredo, um badboy tatuado que gostava de entrar em brigas clandestinas se apaixonado por uma “mocinha”, aparentemente indefesa. O conto de fadas da realidade, cheio de paixão, desejo e o OTP que todo mundo gostaria de viver.

E eu amei. A primeira vez que eu li Belo Desastre eu pensei: Travis e Abby são o casal mais perfeito que eu já vi em toda a minha vida. E por meses – ou até mesmo alguns anos – eu acreditava que eles eram o melhor shipp do gênero e que a história dele era a melhor de todas, mesmo quando a autora resolveu lançar aquela série totalmente desnecessária sobre os irmãos Maddox. Na época que eu li Belo Desastre eu tinha acabado de fazer 20 anos, pouca experiência de relacionamentos e a ideia de “príncipe encantado” fixada na mente.

Mas se você for parar para pensar, não chega a ser um verdadeiro conto de fadas, chega?

Eu aprendi muitas coisas durante os últimos 5 anos. Eu li outros romances, conheci novos autores e entrei em discussões literárias que mudaram completamente a forma como eu via certos personagens e livros que eu costumava amar anos atrás. E com Belo Desastre não foi diferente. Depois de reler o livro mais de uma vez. Rever os acontecimentos e dissecar toda a construção de enredo da Jamie Mcguire, a única coisa que eu conseguia pensar era: “Eu não quero estar no lugar da Abby. Eu não quero que ninguém nunca esteja no lugar da Abby”.

Parece exagero, mas vocês alguma vez pararam para analisar como é o desenvolvimento do romance entre Travis e Abby? Eu pensei. Pensei tanto que fiquei me perguntando se eu estava vendo coisas onde não havia nada ou se aquilo era realmente o que era. É engraçado você ter esse tipo de pensamento porque quando se está num relacionamento abusivo, é exatamente essa mesma sensação que você tem.

O comportamento do Travis não é normal. Eu sei que toda a ideia do motoqueiro tatuado com esse ar de perigo deixa os hormônios de qualquer mulher totalmente desregulados, mas vocês perceberam como o temperamento dele é completamente descontrolado? Não é preciso muito para conseguir tirar ele do sério e fazer com que o punho dele esteja contra a cara de alguém. E por mais que a ideia do “macho alfa” defendendo a mocinha ainda seja um grande apelo nos romances – principalmente no new adult – a brincadeira acaba quando você percebe que o “macho” em questão não tem estrutura emocional nenhuma.

E Travis Maddox não tem.

A primeira vez que eu percebi que ele não me parecia muito normal foi quando percebi a forma desrespeitosa com a qual ele tratava as outras garotas com quem ele se envolvia. Isso já era um grande alarme para a personalidade dele que só se agravou quando a Abby começou a rejeitá-lo de todas as formas possíveis. Vocês se lembram da cena da orgia no sofá? Alguns diriam que ele estava apenas colocando as necessidades em dia, eu vejo como um grande sinal vermelho para o psicológico do personagem.

E quando você acha que as coisas iriam melhorar, Abby e Travis se entregam um para o outro, mas ela decide sumir enquanto ele dormia. Então o personagem acha que é uma ótima ideia destruir o quarto dele inteiro, por pura raiva ou frustração. Muitas pessoas acharam essa cena comovente porque ele estava sofrendo, eu já acredito que isso era um grande sinal de que ele precisava procurar um tratamento e de que a Abby deveria ficar o mais longe possível do cara.

Mas ela não ficou. E quando eles finalmente assumiram um relacionamento, as crises de ciúmes vieram na bagagem. Ninguém podia encostar na Abby. Ninguém podia chegar perto da Abby. Era muito fácil tirar o equilíbrio do Travis quando qualquer outro ser do sexo oposto chegava perto da sua namorada. E tudo o que aconteceu depois da primeira crise de ciúmes foi apenas efeito colateral de algo que estava gritando para nós desde o primeiro capítulo do livro.

E eu me pergunto: como é que eu não percebi isso antes? Verdade seja dita, a literatura e o cinema nos fazem acreditar que nós, mulheres, somos mocinhas indefesas que precisam de proteção. Eles vendem uma ideia barata de que a nossa única função no enredo romântico é salvar o personagem masculino da sua própria escuridão. A Abby era, de longe, boa demais para ficar com alguém como Travis Maddox, mas ela ficou porque o único papel que foi atribuído à ela foi transformar o garoto “badboy” em um príncipe encantado.

E não é isso que nos obrigam a acreditar? Que o amor de uma mulher pode mudar um badboy?

Eu não gosto desse tipo de narrativa. Não gosto da ideia de uma heroína ser apenas um bote salva vidas para um personagem totalmente desequilibrado e que não merece o seu tempo. E Belo Desastre é exatamente isso. A Abby se envolve em situações complicadas e perigosas em nome do seu “amor” pelo Travis, mas eu tenho para mim que  ela poderia ter tido um destino muito melhor, considerando o quão inteligente ela realmente é.

Eu sei que eu tenho muitos leitores aqui do blog que realmente amaram a leitura de Belo Desastre e escolheram passar por cima de todas essas evidências de um relacionamento abusivo em prol de um romance que é, sem dúvidas, de tirar o fôlego. Mas até quando nós vamos aceitar esse tipo de narrativa?

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Lançamentos Notícias 27nov • 2017

Editora Arqueiro lança novo livro da Eloisa James

Kate Daltry é uma jovem de 23 anos que não costuma frequentar os salões da alta sociedade. Desde a morte do pai, sete anos antes, ela se vê praticamente presa à propriedade da família, atendendo aos caprichos da madrasta, Mariana. Por isso, quando a detestável mulher a obriga a comparecer a um baile, Kate fica revoltada, mas acaba obedecendo.

Lá, conhece o sedutor Gabriel, um príncipe irresistível. E irritante. A atração entre eles é imediata e fulminante, mas ambos sabem que um relacionamento é impossível. Afinal, Gabriel já está prometido a outra mulher – uma princesa! – e precisa com urgência do dote milionário para sustentar o castelo.

“Eloisa James sempre nos leva a suspirar, sorrir e nos apaixonar.” – Julia Quinn

Ele deveria se empenhar em cortejar sua futura esposa, não Kate, a inteligente e intempestiva mocinha que se recusa a bajulá-lo o tempo todo. No entanto, Gabriel não consegue disfarçar o enorme desejo que sente por ela. Determinado a tê-la para si, o príncipe precisará decidir, de uma vez por todas, quem reinará em seu castelo.

Um beijo à meia-noite é um conto de fadas inspirado na história de Cinderela. Com um estilo que combina graça, encanto e sedução, Eloisa James escreve uma narrativa envolvente, com direito a fada madrinha e sapatinho de cristal.

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Resenhas 26nov • 2017

Filha das Trevas, por Kiersten White

Eu não esperava que Filha das Trevas fosse ser uma leitura tão complicada. Eu escolhi essa leitura tentando sair da minha zona de conforto e explorar outros universos, mas a verdade é que eu terminei esse livro com a sensação de que eu deveria muito ter continuado onde eu estava. Se você achou a sinopse de Filha das Trevas confusa, não se engane, porque o enredo é mil vezes muito mais bagunçado de desconexo do que a contracapa faz parecer. Com personagens vazios e uma protagonista que não entrega aquilo que promete, o primeiro livro da série de Kiersten White não chegou nem perto de ser o que eu estava esperando.

A primeira coisa que me incomodou foi a rapidez com a qual o enredo se desenvolve. Os capítulos são corridos, com pouca informação e ambientação do universo. O plot do livro ficou confuso para mim até mais ou menos a metade da história. Eu não entendia o que estava acontecendo, nem de onde tinham surgido todos aqueles personagens aleatórios que não foram introduzidos na história de forma apropriada. Se eu fosse escolher uma palavra para definir minha primeira experiência com a escrita de White, caótica definitivamente seria a melhor palavra.

Filha das Trevas promete muitas coisas, uma vez que você conhece (e entende) o enredo do livro. Eu achei que ia encontrar uma personagem principal com a qual eu pudesse me identificar, mas Lada não é nada do que me prometeram quando eu me interessei por esse livro. Há quem diga que ela é uma personagem com características feministas, mas para mim ela era apenas uma garota muito mal-educada e completamente fria e sem respeito nenhum pelo próprio sexo. Eu não diria que ela era feminista, mas egoísta e muito egocêntrica. Todas as suas atitudes são centradas em um único objetivo e, apesar de eu gostar desse ponto de vista, Lada ainda conseguiu ser uma personagem bastante insuportável para mim.

“Aquele não era o comportamento que Lada esperava de Vlad Dracul. De seu pai. De um dragão. Um dragão não rastejava diante dos inimigos, implorando ajuda.Um dragão não receberia os infiéis em sua própria casa depois de jurar exterminá-los.Um dragão não fugiria de seus domínios no meio da noite como um criminosos qualquer.Um dragão queimaria tudo ao seu redor até não restasse nada além de cinzas qualquer.”

A escrita de Kiersten White não é ruim, mas falha em diversos pontos. A autora não teve o cuidado de construir o universo onde o livro se passava e nem de introduzir os personagens de forma que o leitor pudesse se conectar ou ao menos imaginá-los de uma forma melhor. Eu demorei muitas páginas para entender o que era Valáquia e que Lada queria retomar para casa a todo custo. Eu também demorei muito para entender a relação dela com o pai, que é tão pouco explorada no livro que eu não sei nem ao menos porque foi colocado no plot.

E ainda temos a relação Lada-Radu-Mehmed, que é outro ponto do livro que me deixou bastante nervosa. Primeiro que depois que o Mehmed entra na história, você nunca mais se livra dele. Sério, a relação entre esses três é uma coisa muito melosa e estranha que foge completamente do que eu estava esperando do livro. Particularmente, eu achei a relação dos três forçada em todos os sentidos possíveis, mas acho que os sentimentos do Radu, pelo menos para mim, não foram trabalhados da forma como deveriam.

A parte política do livro era interessante e foi um dos poucos pontos da história que realmente me prendeu. O único problema é que, depois de um certo ponto do livro, White começa a ser um tanto quanto repetitiva nessas questões e o enredo parece não andar para frente. E eu ainda tenho a questão de Mehmed ser o futuro sultão. Não sei vocês – que leram o livro – mas esse foi um personagem que não conseguiu me convencer desde o momento em que ele apareceu na história.

Ainda assim, se você gosta de um livro de fantasia e não se importa com o enredo corrido, acredito que o primeiro livro da Saga da Conquistadora possa ser uma experiência de leitura muito melhor para você do que foi para mim. Talvez o fato de eu não ter gostado do livro esteja ligado ao fator “ser uma série”, mas isso nós só vamos descobrir quando os outros livros forem lançados, não é mesmo? Ainda tenho esperanças de que a Lada vai melhorar nos próximos livros e, quem sabe, eu não me livre do Mehmed?

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Resenhas 23nov • 2017

Do Outro Lado, por Carrie Hope Fletcher

Fui com muita sede ao pote, eu devo admitir. É muito difícil você não criar todo o tipo de expectativa quando uma das Youtubers que você mais gosta lança um romance e ele, por um milagre de Deus, acaba sendo publicado no Brasil. Mas, infelizmente, Do Outro Lado acabou não sendo nada do que eu estava esperando. Apesar da Carrie ser uma narradora maravilhosa da sua própria história, quando se trata da construção de personagens e diálogos, a sua escrita se prova bastante amadora.

Do Outro Lado tinha todos os elementos perfeitos para se tornar um romance interessante, que prendesse o leitor, mas a falta de experiência de Fletcher mostra que nem sempre uma boa ideia dá bons frutos. A narrativa do livro é gostosa, a escolha de palavras e a forma como elas soam bem juntas engana o leitor a seguir na história mesmo quando o enredo parece se tornar cada vez mais confuso. Consigo ver um traço muito fiel da personalidade da Carrie na forma como ela resolveu contar essa história.

Meu maior problema com esse enredo foram os diálogos vazios e sem sentido. De tudo o que me incomodou nesse enredo, não ter bons diálogos realmente foi decepcionante. Era como se eu tivesse lendo a fanfic de alguém que nunca havia escrito nada na vida. Imagine você ler um texto com diálogos forçados, previsíveis e que, no final, não levam o leitor a lugar algum – essa foi a minha sensação lendo Do Outro Lado, e quando eu cheguei na metade do livro, confesso que estava mais do que saturada.

“− Nossa alma é muito delicada e existem certas coisas que podem pesar sobre elas. Quando sentimos culpa, reprimimos sentimentos, não falamos o que queremos, guardamos segredos – isso coloca um grande peso sobre a alma frágil. Esses pesos artificiais se grudam sobre nosso espírito e começam a nos arrastar para baixo.”

O enredo não é ruim. A ideia por trás do livro é interessante e instiga o leitor a continuar ali para saber quais são os segredos de Evie e porque a sua alma está pesada. Porém, o desenvolvimento da personagem em si é fraco e vazio. Eu – e digo isso da forma mais particular possível – não consegui encontrar a voz de Evie dentro do livro. Era como se ela fosse mais uma personagem igual a todas as outras personagens clichês que eu já li – e não consegui me identificar. Além disso, todos os motivos pelos quais a alma dela estava pesada não deixam a história mais interessante.

Fletcher não teve muito tato quando escreveu esse livro. Você consegue ver isso quando ela tenta inserir a diversidade sexual dos seus personagens dentro da história. Um assunto como esse, que deve ser tratado de forma que o leitor consiga compreender o personagem, foi jogado de qualquer forma, apenas para provar que a autora tem um pensamento desconstruído. Confesso que isso me incomodou muito, principalmente porque o assunto não foi realmente abordado, ele só foi colocado ali para preencher as lacunas de uma história que já era vazia por si só.

“− Penso nisso o tempo todo: no que faz as pessoas serem quem são e, se voltássemos no tempo e mudássemos alguma coisa, se isso faria diferença ou não. Isso nos tornara melhores ou piores ou simplesmente continuaríamos iguais porque sempre fomos destinados a ser assim, não importa o que acontecesse durante a vida?”

Outro ponto que me chamou atenção foi que, por algum motivo, Carrie achou que seria uma boa ideia inserir no sobrenome dos personagens tudo que fosse possível relacionar com as estações do ano. Snow. Winters. Summer. Autumn. Mais uma prova de que os editores desse livro confiaram demais no talento que a Carrie tinha para outras coisas e deixaram passar esses pequenos detalhes que, combinados com a narrativa fraca e os personagens acabam só contribuindo para que a história se torne ainda mais incomoda para quem está lendo.

Eu esperava muito mais da Carrie em relação a esse livro dela. Talvez por eu gostar muito dela ou talvez por eu acreditar que a escrita dela fosse um pouco mais do que ela realmente chegou a entregar nesse livro. Eu acho que se você gosta de um romance água com açúcar e não se incomoda com uma escrita amadora, talvez Do Outro Lado seja uma leitura muito melhor para você do que foi pra mim.

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Lançamentos Notícias 21nov • 2017

Eleanor Oliphant é uma protagonista que você precisa conhecer

Eleanor Oliphant está muito bem é um livro surpreendente. Sua protagonista é cheia de peculiaridades: tem uma aparência incomum, uma rotina extremamente planejada e solitária. Ela trabalha no setor de finanças de uma empresa de design, vive sozinha, não tem amigos, conta com a companhia de uma planta de estimação e é viciada em vodca e palavras cruzadas. Mas a moça não tem dúvidas. Eleanor Oliphant não cansa de repetir: está muito bem assim mesmo. Mas pouco a pouco, conforme o romance avança, percebemos surpresos que há grandes e tenebrosos mistérios sobre seu passado. Mas os leitores só terão conhecimento de sua história quando Eleanor conseguir se lembrar de uma série de acontecimentos que o trauma apagou de sua memória.

Sua vida começa a mudar quando conhece Raymond, o novo funcionário de TI da empresa onde trabalha. Com uma simpatia e uma bondade incomuns, o rapaz pouco a pouco conquista sua confiança e amizade. Aos 30 anos, Eleanor tem seu primeiro amigo e esse simples acontecimento irá mudar toda a sua história. Os dois salvam a vida de um idoso, que cai inconsciente no meio da rua, e, entre visitas ao doente e festas de agradecimento, Eleanor vivencia em pouco tempo mais encontros sociais do que teve em toda a sua vida.

Atrás da aparência de tranquilidade, porém, uma história triste e traumática vai se revelando pouco a pouco, como cascas que são retiradas, deixando à mostra o miolo de alguém que precisou, desde pequena, aprender a sobreviver. Eleanor Oliphant está muito bem é a história de uma sobrevivente, contada de forma leve e cheia de momentos de inocência e doçura. O leitor não consegue parar de ler, até descobrir o que está por trás dessa personagem original.

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Este conteúdo foi originalmente publicado no site oficial da editora Rocco. O La Oliphant é responsável apenas pela reprodução do mesmo.

Lançamentos Notícias 20nov • 2017

Ordem Vermelha será o primeiro livro de fantasia nacional da Intrínseca

Em dezembro, os leitores vão conhecer Untherak, a última região habitada do mundo. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono, desvendar os segredos do lugar e se preparar para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é o livro que inicia a jornada de quatro improváveis heróis lutando pela liberdade de um povo. Um épico sobre resistir à opressão, lutar contra o status quo e construir bravamente o próprio destino. É a porta de entrada para um novo mundo, com inspirações de fantasia medieval, personagens marcantes e uma narrativa que salta das páginas a cada vila, ruela e beco de Untherak.

Primeiro livro de fantasia que a Intrínseca lança em parceria com a CCXP – Comic Con Experience –, escrito por Felipe Castilho em cocriação com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa, será lançado em 7 de dezembro, durante a CCXP, e já está em pré-venda.


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Você destruiria seu mundo em nome da verdade?
A última região habitada do mundo, Untherak, é povoada por humanos, anões e gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono.
Com essa fagulha de esperança, mais indivíduos se unem à causa e mostram a Una que seus dias talvez estejam contados. Um grupo instável e heterogêneo que precisará resolver suas diferenças a fim não só de desvendar os segredos de Untherak, mas também enfrentar seu mais terrível guardião, o General Proghon, e preparar-se para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?

Este conteúdo foi originalmente publicado no site oficial da editora Intrínseca. O La Oliphant é responsável apenas pela reprodução do conteúdo.

Resenhas 19nov • 2017

Longa Viagem a um planeta pequeno e hostil, por Becky Chambers

Eu não me interesso por um livro de sci-fi desde que eu comecei a ler a série Sky Chasers da Amy Kathleen Ryan – e olha que muitos outros já passaram pelas minhas mãos. Como toda boa leitora, existe uma certa preocupação quando se trata de livros ambientados no espaço da minha parte. Começa com a ambientação da história, o período em que se passa a história, todo o background que irá envolver os personagens e, não menos importante, a narrativa do livro. Por isso, quando eu escolhi Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil, eu sabia que precisava fazer essa leitura no momento certo. E apesar do enredo de Becky Chambers ter as suas falhas, a sua escrita é inegavelmente maravilhosa.

Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil foi uma leitura completamente diferente do que eu estava esperando, até porque a sinopse do livro não revela muito sobre o que vamos encontrar. Mas não se intimide, tá? Chambers tem uma escrita bastante fluída e dá para perceber o cuidado que ela teve em criar todos os personagens e suas histórias. A construção do universo desse enredo é tão bem feita que você consegue se imaginar dentro da Andarilha sem a menor dificuldade e isso foi o que eu mais amei em todo o universo do livro.

O problema é que o desenvolvimento da história é lento e as apresentações dos personagens longas demais. Eu já estava bem longe da página 100 do livro e ainda estava sendo apresentava aos personagens e nada de muito impressionante havia acontecido na história. Mesmo com a escrita maravilhosa da autora, eu tive muita dificuldade em me manter concentrada no livro porque eu não sentia que a história estava chegando a lugar algum, o se realmente havia uma história ali – calma, existe uma história e é ótima, mas demora muito para acontecer. O maior pecado da autora, neste ponto em questão, foi tentar focar muito na relação dos personagens e deixar de lado a viagem que estava em curso.

“O simples fato de usarmos a expressão sangue-frio para denominar alguém pouco emotivo mostra o nosso preconceito inato de primata em relação aos répteis. Não julguem outras espécies pelas suas próprias normas sociais.”

Lentidão do enredo a parte, os personagens desse livro são maravilhosos. Desde Sissix, uma aandriskana impossível de você não amar até Rosemary, uma humana criada numa colônia em Marte, todos são extremamente apaixonantes a sua forma. Becky Chambers focou todos os seus esforços no livro em construir o relacionamento entre esses personagens e em ir muito além de uma amizade, mas explorar tudo o que pode da parte emocional de cada um deles – e eu me maravilhei cada momento dessa construção, até porque ela consegue escapar de todos os clichês que, eu confesso, achei que fossem acontecer.

 

Nós temos todos os relacionamentos em primeiro plano no livro, talvez por isso a escrita em terceira pessoa tenha se encaixado tão bem. Mas eu quero chamar atenção mesmo para a forma como a autora cria os laços entre espécies e prova por A mais B que o amor não tem uma regra, ele apenas é. E eu amei isso nesse livro. Mais do que focar em um único personagem, Chambers nos deu uma nave inteira de diferentes exemplos de amor e diferentes formas de se construir uma relação com alguém, e a forma sutil que ela faz isso, é maravilhosa.

“Acho que, em geral, as pessoas decidem passar por uma cirurgia antienvelhecimento porque têm baixa autoestima e sentem que não são boas o suficiente com sua aparência atual. Só que tudo que fiz com meu corpo foi por amor. É sério. As tatuagens são uma recordação de vários lugares e lembranças específicas, mas, no fundo, tudo o que fiz foi o meu jeito de dizer que este é o MEU corpo. Que não quero o corpo que todos me diziam que eu deveria ter (…) Nem fodendo. Se vou mudar o meu corpo, as mudanças têm que vir de mim.”

A única coisa que me incomodou bastante no livro foi a falta de aprofundamento dos personagens, e nesse ponto eu vou ter que atribuir a culpa a narrativa em terceira pessoa. Como o narrador do livro é apenas um observador, ele não tem como nos mostrar o que está no íntimo de cada personagem, mas apenas o que ele vê e eu senti falta dessa intimidade no enredo. Sabe quando você conhece tão bem um personagem que pensa: “Nossa, fulano teria adorado isso…”, em Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil infelizmente eu não consegui ter essa sensação e foi algo que eu senti falta durante a leitura.

Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil é um livro que tem um universo muito amplo. Chambers no leva para conhecer várias partes da galáxia e se você, assim como eu, adora poder sair um pouco do planeta terra, esse livro vai ser a sua passagem de ida para um universo que você jamais imaginou que poderia conhecer – e a Andarilha fosse a sua nave, a melhor nave, viu? Chambers tem um jeito muito acolhedor de te envolver no universo que ela cria e isso, por si só, já torna a leitura maravilhosa.

Eu adorei a leitura de Longa Viagem a Um Planeta Pequeno e Hostil, mesmo com todos os altos e baixos do enredo. Foi um livro que me levou para viajar e que me apresentou a personagens maravilhosos que me deixaram com aquela vontade de ficar. E quem acompanha esse blog sabe que é muito difícil hoje em dia eu ter essa sensação tão boa sobre um livro. Becky Chamber ganhou meu coração com seus personagens, com a forma como ela aborda alguns assuntos e principalmente com o seu universo.

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Promoções 17nov • 2017

Sorteio Especial: concorra ao livro Quando A Bela Domou a Fera, da Eloisa James

Quem estava ansioso por um sorteio? Eu estava!

Acho que eu não trago um sorteio novo para vocês desde o mês de Agosto, quebrando totalmente o meu plano de sortear pelo menos um livro por mês aqui no blog – perdão pelo vacilo, viu? Mas eu vim compensar da maneira que vocês mais gostam: com livros!

Neste mês de novembro nós vamos sortear o livro “Quando A Bela Domou a Fera” da Eloisa James em parceria com a nossa amada Editora Arqueiro. Então se você já estava planejando colocar as mãos nesse livro maravilhoso, eis a sua chance!

Eleito um dos dez melhores romances de 2011 pelo Library Journal, Quando a Bela domou a Fera é uma deliciosa releitura de um dos contos de fadas mais adorados de todos os tempos. Piers Yelverton, o conde de Marchant, vive em um castelo no País de Gales, onde seu temperamento irascível acaba ferindo todos os que cruzam seu caminho. Além disso, segundo as más línguas, o defeito que ele tem na perna o deixou imune aos encantos de qualquer mulher.

Mas Linnet não é qualquer mulher. É uma das moças mais adoráveis que já circularam pelos salões de Londres. Seu charme e sua inteligência já fizeram com que até mesmo um príncipe caísse a seus pés. Após ver seu nome envolvido em um escândalo da realeza, ela definitivamente precisa de um marido e, ao conhecer Piers, prevê que ele se apaixonará perdidamente em apenas duas semanas.

a Rafflecopter giveaway

Acesse pelo link

Confira o regulamento do sorteio antes de participar:

1. A promoção é válida ATÉ 01/12, tendo seu ganhador anunciado na fanpage do blog;
2. Este sorteio é realizado através da plataforma Rafflecopter;
3. Para validar o prêmio o ganhador devera cumprir com todas as obrigatórias do Rafflecopter;
4. Ao fim da promoção será sorteado apenas 01 ganhador para todos os prêmios cedidos neste sorteio;
5. A promoção é válida somente para quem tem endereço de entrega no Brasil;
6. O primeiro ganhador terá o prazo de 03 dias para responder ao e-mail que lhe será enviado. Caso não o faça, um novo ganhador será definido;
7. O envio do livro será feito pela equipe da Editora Arqueiro no prazo de 60 dias após o ganhador informar seu endereço;
8. O blog não se responsabiliza por extravio, atraso na entrega dos Correios, ou pelo o não envio do livro por parte da editora. Assim como não se responsabiliza por entrega não efetuada por motivos de endereço incorreto, fornecido pelo próprio ganhador;

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